quinta-feira, 5 de julho de 2012

Escombros

Os escombros não falam e não se movimentam.
São cegos e são surdos os escombros.
Os escombros alimentam-se da poeira das suas sobras.
Não se afunde ao ir dormir entre os escombros.
Os escombros se esmagam com aquilo que carregam.
Triturados sejam todos os escombros.

Os escombros nos pedaços se perderam.
Sufocados pelos restos os escombros.
Os escombros não serão da mesma forma.
Muitas vezes nós veremos os escombros.
Os escombros vem do alto à queda livre.
Destruidos foram todos os escombros.

Os escombros desabando eles não se desesperam.
Será novo o que estiver sobre os escombros.
Os escombros quebram tudo o que puderem.
Impedidos de cair são os escombros.
Os escombros estão sempre estraçalhados.
Enterrados estão todos os escombros.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Qual a crítica feita por Berkeley à noção de abstração sugerida por Locke?

Berkeley cogita a existência de um véu entre as ideias e as suas impressões mais definidas, ou seja, para ele não se pode apreender as qualidades de um modo imediato com a mente. De acordo com este empirista britânico, esse véu separa as coisas do nosso contato com elas, de modo que podemos acessá-las através dessa barreira, porém não diretamente ter acesso à forma delas. Segue-se disso que por nós não termos contato direto com elas, não teremos a obrigação de pensá-las reais como são ou podem ser. Surge o idealismo, que é a oposição de Berkeley ao pensamento da abstração em Locke, pois se para Locke se chega a raiz dos conceitos ao abstraí-los, não é verdadereiro que para Berkeley proceda dessa forma, visto que para ele não se chega nem sequer a entender completamente a existência dos conceitos.

O que justifica Descartes a creditar ao "eu sou, eu existo" certeza absoluta?

A meta cartesiana é o limite do ceticismo. A partir da exaustão das dúvidas levadas ao extremo se chega em algum ponto aonde não restar mais ela. É através desse método que Descartes chega à certeza da sua existência. Para o racionalista francês, ser enquanto se pensa é exisitir, pois o pensamento para ele é a condição fundamental da consciência. A matemática possui a precisão cartesiana, pois os seus teoremas e axiomas são indubitáveis, de modo que também ela é capaz de elevar os pensamentos do mais simplório ao mais complexo de todos os problemas, os solucionando de um modo objetivo e tampouco questionável. Com os recursos específicos da lógica, da álgebra e da geometria, Descartes não só chega à certeza indubitável da sua existência enquanto ser pensante, mas alcança para si uma verdade sobre deus e sobre o mundo como coisas existentes a partir dos seus princípios.

Qual a relação entre a noção de significado em Aristóteles e em Locke?

Tanto Aristóteles quanto Locke eram empiristas e racionalistas. Para o filósofo britânico, a nossa mente era como uma folha de papel em branco, onde a experiência tem escrito as suas linhas. A doutrina aristotélica das quatro causas se relaciona com as fases do processo cognitivo em Locke. Para Aristóteles as causas são formais, materiais, eficientes e finais. A primeira é a ideia do objeto. A segunda é o corpo do objeto. A terceira é aquilo que o fez um objeto. E a quarta é aquela que faz últil o objeto. Em Locke, as fases da cognição são intuitivas, sintéticas, abstrativas e comparativas. No primeiro momento as ideias são sentidas. No segundo elas são unificadas. No terceiro elas são reduzidas. E no quarto elas são confrontadas. Assim se estabelece uma relação entre elas de maneira produtiva para os significados. Quer-se dizer que as palavras são as formas das ideias, e que as ideias tem como suas formas mentais as palavras, de maneira que a convenção é o veículo de significado das ideias, sendo as palavras intrumentos para a comunicação dessas ideias.

Qual o melhor candidato ao papel de substância em Aristóteles: o substrato, o composto, a forma ou o universal? Por que não pode ser o universal?

A metafísica aristotélica estuda a substância imutável. Para ele, tudo é parte desta substância primeira e não há nada que exista sem que tenha vindo dela. A substância imutável é imóvel, mas move a todas as coisas. Essa força motriz possui um caráter divino e isto faz da metafísica uma teologia. Afirmando que o universal torna o conhecimento possível, Aristóteles não demonstra como ele se perpetua no alheamento das esferas individuais. Logo, no pensamento aristotélico, não é o universal o melhor candidato que corresponde ao papel de substância, pois este não diz respeito à realidade sensível das coisas que existem no mundo de forma direta, mas é a forma que corresponde, visto que a mesma é basicamente pura e não é material, ou seja, encontrando por esse viés um jeito de objetar Platão, Aristóteles afirma que a forma ela é substancial, posto que é pura e é imaterial, sendo universais as substâncias secundárias, e não as primárias como a forma.

Qual a função da doutrina platônica das idéias? Existem objeções à esta doutrina?

Para Platão, as ideias das coisas correspondem aos seus nomes. São conceitos mentais que tem como formas os seus objetos no mundo, ou seja, para ele, as ideias são os nossos pensamentos sobre as coisas e, em poucas palavras, são as imagens referenciais dos elementos materiais. Aristóteles se opõe ao argumento de seu mestre, se questionando por Platão ter duplicado o nosso mundo. Sim, pois para o seu mentor, o mundo possuia divisões conceituais objetivas. De acordo com Platão, as ideias existem em um mundo transcendental, são imutáveis e lá permanecem, não possuem lugar no espaço, apenas no mundo das formas. Em outras palavras, se tudo que existe de verdade deve estar em algum canto, e se as ideias não possuem pontos fixos no mundo, então há um problema quanto ao seu caráter físico, de modo que Platão recorre aos mitos para poder explicá-lo, o que não é tão respeitável dentro da filosofia.

Microcríticas à razão pura

Nem tudo que é pensado pode ser compreendido. A razão possui limites, ultrapassa a experiência depois que a mesma tiver sido feita. O conhecimento dos fenômenos parte da experiência. A razão nem sempre é subjetiva, pois engloba muitas vezes a objetividade, de modo que é a base que dá fundação à crítica. A razão justifica os conhecimentos a priori depois que se debruça sobre eles. A metafísica está para a razão, assim como a criança para os seus primeiros passos. Os conhecimentos fundados na experiência são contingentes. Os conhecimentos a priori são necessários.


A crítica da razão pura estabelece os limites do conhecimento, e se isenta de justificar a função do pensamento. A razão pura pensa as ideias abstratas de forma prática. A experiência produz conhecimento, mas nem todos os saberes são provenientes dela. Os conhecimentos a posteriori nos mostram um estado de coisas que são transitórias. Quando puro, o conhecimento a priori está desvinculado da experiência. Se o conhecimento é a priori, então é um juízo necessário, claro, distinto e indubitável. Tudo o que for puro e a priori tem caráter universal.


A tarefa da filosofia consiste em combater as incertezas e falácias nas opiniões filosóficas. Os juízos analíticos são semanticamente verificáveis. Os juízos sintéticos a priori são exatos e precisos. Da experiência é que são extraídos os juízos sintéticos a priori. O transcendental se ocupa de como conhecemos as coisas do mundo. O conhecimento é sensorial e também racional. As impressões passam pelos sentidos e os conceitos pela razão são formulados. Aquilo que sentimos só existe em nós como fenômenos representados pela nossa intuição. É o pensamento que torna o mundo uma coisa possível.


Os conceitos e as intuições puras são elementos do nosso conhecimento a priori das coisas. A intuição é sensível. Os conceitos são inteligíveis. As ideias são os conceitos da razão pura. O múltiplo é conhecido pela nossa intuição que o sintetiza. O entendimento só é alcançado na esfera do conhecimento quando se parte do estudo dos fenômenos. Os conceitos do entendimento são referenciais para as ideias da razão, de modo que estas o sistematiza e unifica, fora dos limites da experiência. As coisas em si não se manifestam no mundo fenomênico, não podemos conhecer coisas assim. As ideias da razão transcendem a linha da experiência. O entendimento legisla sobre os fenômenos físicos. A vontade final da razão é corresponder os objetos às ideias, aplicando a sua legislação sobre os domínios do conhecimento.