sábado, 30 de junho de 2012

Contradições e paradoxos


O que faria Hitler não ser um alemão? Por que as bancarrotas são socializadas e as grandes expansões do capital nos são restritas? O que faria Mussolini ser apaixonado por uma judia? Se o globo do planeta é circular, porque os continentes estão numa hierarquia? O que faria Napoleão não ser francês? Por que os revolucionários do norte – onde a depressão é a lei – se encantam pelas revoluções do sul (onde a repressão predomina)? O que faria Stalin não ser russo? Por que a neve é o símbolo do natal, se Jesus nasceu em um deserto tropical? O que faria um psicopata gostar de saltar de paraquedas sem jamais ter andado de avião? Se INRI Cristo expulsou os mercadores do templo, por que a igreja rendeu tanto lucro? Os paradoxos são contradições, e não são poucos junto ao longo da História. 

Quando estamos fazendo afirmações verdadeiras e acabamos nos contradizendo, estamos sendo paradoxais. Se declararmos que a vontade só alcança o que a mesma não deseja, estamos nos contradizendo. São as contradições que movimentam os paradoxos. São os paradoxos que movimentam as contradições. A poesia é paradoxal, a sociedade é paradoxal, a História é paradoxal, a vida é paradoxal, a arte é paradoxal, a mentira é paradoxal, a política é paradoxal, a desigualdade é paradoxal. Os paradoxos pautam as nossas relações no cotidiano, nos fazem ter certeza de que algo está errado em qualquer coisa que disserem para nós sem fundamentos que se possa averiguar. “Viver é estar morrendo” é uma sentença paradoxal. Nascer para se degradar e depois sucumbir não é também contraditório?

O paradoxo nasceu como palavra no momento em que o Brasil foi oficialmente descoberto, no nascimento do renascimento, em 1500, por entre a Europa e a Ásia. Nesse período áureo para o avanço da ciência e das artes, o paradoxo foi responsável pelo progresso da matemática e da filosofia. O paradoxo é um contra ao pensamento, ele se opõe às formulações sustentáveis dos nossos juízos, altera o que houver de racional quanto aos discursos, anarquiza o status quo do inferir cartesiano, rompe com as perspectivas do certo e do errado, tem o poder de transgredir imposições, não é capaz de limitar-se ao empecilho dos conceitos, pode alcançar lugares nunca antes concebidos, não se restringe ao que for estabelecido, estará sempre procurando um meio de subversão.

A ética também se ocupa dos paradoxos, tanto na questão dos homicídios motivados por amor, quanto nos aspectos dos crimes supressores como o roubo necessário. Os dilemas são contradições e, portanto, são paradoxais. Só se mata por amor quando se odeia. Só se odeia por amor quando se mata. Não se mata aquilo que não se odeia. Só se ama aquilo que jamais se mata. Em um mundo aonde os muitos não tem muito e os poucos não tem pouco, roubar não é errado quando a fome é categórica e os recursos são escassos. Por critério pode ser, mas por princípio não será errôneo o furto. O bem almeja se realizar. O mal deseja que não haja amor. De qualquer modo, justifica-se o roubo quando há desigualdade em demasia e se precisa resistir às intempéries.

Os paradoxos modelam a realidade do modo que bem entenderem, retirando da mesma a lógica incrustada nos discursos da linguagem. Nesse sentido, “não vejo a hora de te ver” é um paradoxo, pois como é que alguém não vê a hora de ver alguém? Pode haver algum sentido sem que haja coerência. Nesse aspecto, o paradoxo é considerado uma figura de linguagem na retórica. Como elemento da oratória, o paradoxo é uma antítese das coisas que fazem sentido. Muito presente na poesia, os escritores se valeram muito dele quando estavam desejando algum efeito de sentido nos poemas promulgados. Luís de Camões foi um deles. Quando escreveu sobre o amor ele foi paradoxal, pois as feridas ardem e o fogo queima, todas as dores doem sejam lá quais elas forem, e não se pode estar bisonho e contente.

 Caio Júlio César Augusto Germânico, insano e perverso imperador romano, afirmou certa vez: “existo desde o início do mundo e existirei até que a última estrela caia dos céus, pois embora tenha tomado esta forma de Caius Calígula, sou todos os homens e ao mesmo tempo nenhum, portanto, sou um deus”. Acreditando possuir o dom da lógica, o príncipe demente proferia estas sentenças que fariam mais poesia que sentido objetivo para o mundo, pois não há quem possa ser tudo e ao mesmo tempo nada ser, nem muito menos existir até o fim de uma estrela, tampouco se pode ser homem e deus ao mesmo instante, sendo possível que se seja ou um ou outro, ou ainda um semideus que faz junção dos dois em um. Os paradoxos linguísticos são as margens de contradição encontradas nas afirmações proferidas.

Os paradoxos podem ser verídicos ou inverídicos ou antinômicos. Nunca podem ser os dois – o que seria outro paradoxo. No primeiro momento, as afirmações contraditórias na sua forma nos levam às conclusões factuais dificilmente discutíveis. No segundo instante, as sentenças nem são todas verdadeiras, nem nos trazem uma conclusão correta, ou seja, as provas extraídas das sentenças são inválidas. No caso das antinomias, quando os argumentos contrapostos aparentam qualquer coisa de verdade e as suas conclusões não tem valor elas nos são mais acessíveis como paradoxais. Na lógica e na filosofia, ao longo da história, os paradoxos ganharam seus espaços junto às muitas discussões desenvolvidas pelos especialistas – o que não foi capaz de resolver cada um deles.

Os paradoxos verídicos podem estar nas ações, poderão se encontrar na epistemologia, na filosofia, na física, na lógica, na matemática, na metafísica e na psicologia. Os números quadrados, para Galileu, não eram muitos, pois eram todos, que eram poucos. Condorcet concebeu que os indivíduos racionais podem tomar atitudes gerais que podem ser irracionais. De acordo com Moore, nós não precisamos acreditar nas verdades que dissermos. Para Epicuro, o bem não é compatível com o mal, e se deus for bom, então ele não poderá poder tudo, inclusive ser mau. Braess argumenta que as coisas acrescentadas por nós em demasia sobre alguma coisa em específico acabam por danificar as funções dessa coisa. Eubulides se questiona quanto ao fato de poder existir alguma verdade nas várias mentiras dos enganadores.

As antinomias possuem um caráter de definição que as torna ambíguas. O Paradoxo de sorites é um exemplo desse postulado. Nele, não encontramos diferença entre grãos de areia que compõem um monte da mesma ao retirá-los desse monte. Existe outro tipo de paradoxo entre estes, que é o condicional. Podemos verificar que as afirmações serão sempre especiais nesse caso, podendo fazer com que esta vivência caia em outro grau de paradoxo. Jevons mencionava que, na economia, quanto mais se tem mais se deseja, e quanto mais se quer, mais se gasta. E outros paradoxos existem, como o de Giffen, que se assemelha pela sua estrutura ao do próprio Jevons, pois afirma que o consumismo sempre exige a produção. Tanto “A volta dos que não foram” quanto “As tranças do rei careca”, bem como “O choro dos insensíveis” são formas de paradoxo.    

Foi em 1901 que Bertrand Russell descobriu seu paradoxo. Nele Russell aponta uma contradição encontrada por si em “As leis fundamentais da aritmética”, da qual poderia derivar o sistema de Frege. Assim Bertrand dirige uma missiva ao matemático alemão comunicando a descoberta. Frege bem recebe as suas considerações, pois publica a descoberta no posfácio do segundo volume de seu livro. Mesmo assim, antes que Frege o fizesse, Russell já houvera feito publicar a descoberta em um dos livros que escrevera intitulado de “Princípios das matemáticas”. Outros autores de menor destaque, porém não de menor importância, já haviam descoberto o paradoxo de Russell, no entanto, jamais o publicaram. Alfred North Whitehead, um dos autores de “Principia Mathematica”, lançou nele a descoberta.

O paradoxo de Russell é importante tanto para a lógica quanto para a filosofia, assim como também na matemática respalda-se. Desde Aristóteles que não consideravam mais autores do interdisciplinar como eles foram conhecidos no momento de escrever o livro deles. Sim, “Principia Mathematica” é uma das obras mais importantes dos filósofos ilustres, sempre recomendado pelos lógicos, matemáticos e pensadores para os que interessados queiram mais aprofundar-se. Filósofo e matemático, Alfred North Whitehead contribuiu para a filosofia da ciência e reforçou as bases dos conceitos matemáticos. Amigo de Russell, Whitehead foi seu sócio na empreitada da escrita, ambos colaboravam um com o outro, com aquilo que sabiam para ter algo mais sólido. 

Bertrand Russel compreende os elementos existentes num conjunto sempre quase fora deles. A base do seu paradoxo é esta: se um elemento de um conjunto a si pertence, ele é seu, e não do conjunto ao qual pertence. Em poucas palavras, Russell fala dos conjuntos cujos elementos não se pertencem a si mesmos.  Nas suas palavras, Bertrand nos fala a respeito do "conjunto de todos os conjuntos que não se contêm a si próprios como membros". Russell quer dizer com isso que por mais desarmônica que sejam as expressões do cotidiano nós podemos excluí-las sem perder nada com isso, assim como podemos inseri-las fora das nossas vivências quando assim bem entendermos, pois a matemática, tal qual pode a lógica, nos emancipa das incertezas e das ambiguidades.




Rio de Janeiro/RJ

De Como conhecer a própria mente


Observamos as ações humanas quando queremos conhecer as previsões das atitudes dos humanos. Podemos fazer isso os escutando, conversando com eles, seguindo os seus passos ou estando junto deles. A facilidade que nós temos de acessar os nossos próprios pensamentos é equivalente à dificuldade que sentimos para entender os outros. É mais possível que estejamos enganados a respeito dos pensamentos alheios do que é provável que estejamos acertando ao entender os pensamentos que nós temos. Para saber o que pensamos não precisamos recorrer à observação, ao passo que para conhecer os pensamentos alheios é no mínimo necessário que nós os observemos. As pretensões dos indivíduos são os fatores de análise que justificam as suas possíveis ações. Os indícios dão sustento às pretensões.

As crenças que nós temos a respeito dos nossos estados de espírito são sempre dubitáveis, nunca podem ser concretas, pois a ambiguidade as permeia o tempo inteiro, de modo que assim sendo as nossas vontades influenciam as nossas concepções e perspectivas – o que não nos isenta de uma ilusão construída pelos desejos que nós temos. A pluralidade das possibilidades que existem para a compreensão dos estados mentais é tão ampla, que a confusão estará presente sempre no entendimento dos atos mentais. Para que as palavras tenham o seu significado, é fundamental que exista uma representação mental de todas elas. Os pensamentos, os sentimentos e as emoções podem ser expressos pelas pessoas através das palavras das mesmas, ou seja, se os estados internos dos indivíduos podem ser comunicados, então os eventos exteriores poderão todos eles ser descritos.

O ceticismo nos ajuda a conhecer as nossas mentes. Na medida em que duvidamos, aguçamos gravemente os raciocínios que nós temos. As palavras que são conhecidas por nós, possuem inúmeros significados, tanto para nós, quanto para os outros, e é por isso que achamos dispersados os possíveis pressupostos do saber conceitual. Os fatores oriundos do externo contaminam as nossas crenças subjetivas e são vários os autores que defendem esta visão, entre eles estão Burge e o Daniel Dennet. Outros autores defendem que os estados psicológicos genuínos nada devem aos fatores que existem na objetividade. Stich e Fodor são defensores dessa perspectiva. O que está sendo discutido é como as pessoas conhecem os seus estados mentais e como os outros conhecem os estados mentais das pessoas. Crenças, desejos e intenções são exemplos de estados mentais. Considerar as impressões do mundo externo como definidoras dos nossos estados mentais nos faz compreender que os nossos pensamentos não podem por nós ser conhecidos. 

Os fatores sociais podem influenciar os estados mentais das pessoas, porém não podem controlar completamente esses estados. As crenças sustentadas pelos indivíduos dependem, em muitos aspectos, de outras crenças que eles tenham, e isso não deve ser desconsiderado. As palavras são afetadas pelo contexto social no qual são proferidas. Quando quer ser compreendido o orador adequa o seu discurso às pessoas que estão a ouvir. Sem isso ninguém vai compreendê-lo. Fala-se aos que nos entendem. Para entender-nos é fundamental que falemos de modo que possam fazê-lo. Se desejarmos ser compreendidos em português pelo professor que analisa um bom trabalho por nós feito, não poderemos entregar pronta a labuta em outra língua, quer seja em francês ou em inglês, quer em alemão ou espanhol. As circunstâncias nas quais são escolhidas as palavras definirão suas significações.  As nossas interpretações das descrições que vem dos outros quase nunca são as mesmas que os mesmos nos disseram.

Um pensamento que pode ser influenciado por entes externos não necessariamente se encontra totalmente na cabeça e para que não se encontre totalmente na cabeça ao pensamento é necessário que os entes externos lhe influenciem de forma direta. Os estados psicológicos são infinitos, porém são todos limitados. Acontecimentos mentais com conteúdos diferentes não podem ser iguais por causa do seu conteúdo. Alguns acontecimentos mentais são de caráter físico, alguns acontecimentos físicos são de caráter mental. Irmãos gêmeos são fisicamente idênticos e diferem no psicológico. A linguagem constrói uma ponte que liga o interior para o exterior. A mente domina os estados internos de si. Os estados externos são forças do mundo e não temos controle mental. Os objetos são incapazes de serem alheios ao mundo sensorial. As ocorrências existenciais dos indivíduos focalizam os usos das palavras por eles.

Rio de Janeiro/RJ

Decifrando a experiência consciente


A experiência consciente possui ao seu redor muitos mistérios que ainda não nos foram desvelados. A consciência é o conhecimento que nós temos próximos a nós mais acessível, e mesmo assim não conseguimos harmonizá-la com os outros saberes que temos. Sabe-se que ela surge dos processos neurais cerebrais, porém não se sabe como isso ocorre. As experiências objetivas, quando somadas às subjetivas, constituem as nossas consciências, formadas essencialmente pelas construções objetivas e externas a si própria, como as nossas sensações dos objetos e os nossos sentimentos sobre as coisas.

O behaviorismo concentrou-se no comportamento como forma de expressão exteriorizada pelos atos do sujeito e pouco ou nada fez para poder analisar outros estados como os subjetivos, existenciais e pessoais de cada um. Antes de se desenvolverem, as ciências cognitivas não eram daquelas que criam na compreensão dos estados internos, pois sendo eles tão subjetivos, nada assegurava que fossem depreendidos pelos moldes do momento. Atualmente, essas concepções se atualizaram e por isso agora temos estudado estes fenômenos mentais na consciência. 


Com a experiência de Mary, não podemos afirmar que os processos mentais em sua totalidade são oriundos das experiências físicas. É obscura a compreensão de como os eventos mentais derivam dos fatos físicos. A consciência é produto do cérebro. Os neurocientistas não mergulham a fundo no estudo dos problemas mais complexos da mente, ficando apenas com aqueles que são simples. Os problemas fáceis se relacionam com o comportamento. Os problemas difíceis estão mais voltados a como se mostra uma experiência concreta em termos de ser consciente. As explicações da consciência não são nem estruturais e nem funcionais. A física apresenta resoluções para o problema das consciências, que por sua vez não deriva das soluções físicas. 

O reducionismo explica a consciência tanto pela neurologia quanto pela psicologia. Embora a neurociência acrescente aos estudos, não é capaz de nos fazer compreender exatamente a natureza dos fenômenos mentais. Consciência é uma palavra de muitos significados. Os problemas fáceis da consciência são aqueles que podem ser considerados quando observamos os aparatos da cognição, ou seja, os cinco sentidos. Qual a relação da consciência com os sentidos é uma base dos problemas simples da consciência. Os problemas difíceis são aqueles nos quais os processos físicos ocasionam mudanças no comportamento e nos estados cerebrais, dando ênfase sobre ao caráter subjetivo da percepção pessoal.

Com a experiência de Mary, não podemos afirmar que os processos mentais em sua totalidade são oriundos das experiências físicas. É obscura a compreensão de como os eventos mentais derivam dos fatos físicos. A consciência é produto do cérebro. Os neurocientistas não mergulham a fundo no estudo dos problemas mais complexos da mente, ficando apenas com aqueles que são simples. Os problemas fáceis se relacionam com o comportamento. Os problemas difíceis estão mais voltados a como se mostra uma experiência concreta em termos de ser consciente. As explicações da consciência não são nem estruturais e nem funcionais. A física apresenta resoluções para o problema das consciências, que por sua vez não deriva das soluções físicas.




Rio de Janeiro/RJ

Sobre Como é ser um morcego


Depreender a consciência na perspectiva da mente e do corpo é quase impossível. As análises deveriam seguir-se de outra maneira, de modo mais inteligível.  Os reducionistas são cientistas modernos analógicos.  Os filósofos explicam o mundo numa terminologia compatível com aquilo que entendem e isso permitiu que o mental fosse entendido de um modo não tão vasto quanto poderia ser.


As experiências conscientes acontecem entre os mais variados níveis de vida animal. Não podemos ter certezas precisas sobre a ocorrência desses fenômenos nos organismos mais simples, como por exemplo, no dos morcegos. Os estados de consciência “são como ser” os organismos em questão no qual ocorrem. As experiências conscientes são subjetivas.


Para entendermos as teorias fisicalistas, nós precisamos inferir o caráter subjetivo da experiência consciente. Se quisermos defender o fisicalismo, precisamos oferecer explicações físicas para os fenômenos em voga. A subjetividade impede que esta explicação seja possível. Os morcegos são bastante diferentes dos humanos, e por isso quando nessa condição nós não podemos perceber como os morcegos.


A nossa subjetividade parece e é diferente da deles (se é que a tem) – ou tem? Apenas os morcegos poderiam responder. Vamos supor que eles tenham. Mesmo procedendo assim não poderemos ter certeza sobre isto. Sabemos da nossa subjetividade, mas da dos morcegos, só eles quem sabem, e se souberem. Não podemos compreender todos os fatos, assim como não somos capazes de representar todos eles. Impossível para nós seres humanos descrever exatamente como é ser um morcego. De qualquer modo, a imaginação é um recurso ilimitado. Cada um desses fatos encerra em si múltiplas particularidades. 


Não podemos saber como é ser um morcego sem sermos morcegos. E como não somos nem podemos sê-los, jamais saberemos. Assim também não poderão eles (os morcegos) saberem como é ser como nós, pois os morcegos não tem consciência sequer de quem são quanto mais do que somos e como.  As nossas experiências partem dos nossos pontos de vista e perspectivas, bem como das nossas escolhas, assim como das nossas ações. Por vezes o reducionismo simplifica os conceitos e acentua a compreensão dos estados mentais.


O que existe fora de nós é a essência do que há dentro de nós, o mundo exterior é um reflexo do nosso interior. Mesmo considerando a existência de um caráter subjetivo nas experiências conscientes, nós não podemos no momento elucidar como isso ocorre. Para o fisicalismo, “os estados mentais são estados corporais, os eventos mentais são eventos físicos”. A mente, para um fisicalista, não está dissociada do corpo sob qualquer circunstância.  Não sabemos exatamente quais estados são quais estados, mas a teoria parte do princípio de que sejam todos eles. Uma teoria não se decora: se aprender, se entende, interpreta-se. 




Rio de Janeiro/RJ

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O que nem Mary sabia de O que não sabia Mary


Mary nasceu, foi criada e cresceu tendo uma educação em preto e branco, tanto os seus livros eram todos nessa cor, quanto os filmes que a Mary assistia eram eles branco e preto. O quarto de Mary era todo preto e branco, e foi assim que das coisas do mundo ela tomou conhecimento. Considerando os fatos que se mostram, Mary conheceu o que podia conhecer e, de acordo com o fisicismo, não existem outros fatos que não sejam fatos físicos. Para estes pensadores, tudo é físico, nada existe que não tenha natureza física. Na perspectiva dos fisicalistas, todos os eventos, sejam eles mentais ou mesmo comportamentais, são em sua natureza fatos físicos.


Somam-se novas experiências a primeira e tiram Mary do seu quarto para que assim o mundo ela enxergue com as cores que ele tem. É por isso que nem tudo ela conhece, pois das cores ela não sabia nada, tinha impressões. O fisicismo, portanto, é falso quando não nos representa o que podemos conhecer no mundo físico, mas apenas o que nós já conhecemos antes disso nesse mundo, quer dizer, as nossas sensações prévias das coisas. É a partir desta ótica que se faz a crítica do conhecimento contra o fisicismo. Em contrapartida, são elaboradas três notas para este discurso, feitas por Paul M. Churchland. 

O primeiro dos argumentos afirma que não se pode imaginar sem antes ter experimentado, que a imaginação é fundamental para haver a sensação, pois sem esta não podemos ter no mundo das ideias uma forma do que foi nas nossas vidas. Afirma-se que a imaginação é contrária ao conhecimento, e que por isso só são partidários dela aqueles do senso comum. A segunda objeção se posiciona sobre a intencionalidade que é desconsiderada pelos moldes fisicalistas no que diz respeito ao conhecimento. Não é de todo perfeito o saber que nós temos além do comum, no nível das ciências, pois as descobertas estão em mudança frequente, o que nos mostra não ser nada permanente esses juízos que são feitos como sendo universais. O terceiro aspecto desses argumentos se dá quando vemos nas experiências alheias o que nós não vemos nas nossas, pois dependendo de como ela tenha sido, nós podemos nos guiar através delas e saber evitar pontos que nos levem para trás. Para os fisicalistas, o que é novo se descobre, pois as coisas sempre mudam. O fisicismo encontra dificuldade em compreender os estados internos dos entes vivos e plurais. 

Churchland objeta que os estados e as propriedades mentais são diferentes das propriedades e dos estados cerebrais. Os conhecimentos na esfera dos estados mentais são descritivos e os saberes encontrados no âmbito das propriedades cerebrais são tácteis. A conclusão do autor é a de que tanto existem coisas das quais a Mary sabe, quanto existem coisas que a Mary não conhece.  O conhecimento que Mary tinha antes de ser libertada não era completo, ele carecia de pontos importantes para ser mais coerente, sendo mais objetivo ao não ter mais completude. Prosseguindo com as suas objeções o autor se certifica de que Mary possuía informação em demasia no primeiro dos seus argumentos, o que lhe garantiu um bom respaldo tanto sobre o dualismo quanto sobre o fisicalismo. O último dos argumentos mostra que o fisicismo é falso, quer venha a partir da imaginação, quer venha através d’outra questão. 




Rio de Janeiro/RJ  

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Dressed garbage


Clothing sewn on pieces of other
Shoes gnawed by visits and trails
The pocket was opened by a rat
Breaking through the bars of jail

domingo, 3 de junho de 2012

As vivências de Bob Sujo


Vou arriar uma trip sem
Dar espaço para o belo
Troquei o pincel e a tinta
Por um martelo
Se liga no drop
Porque senão te sequelo
Pois se o ácido é doce
Ele não é caramelo

Vou mandar um bomb
Para explodir estruturas
Marcando com grafite
É terrorismo às escuras
Cortando altos stencils
Extravaso essa fúria
Na prosa ou na poesia
Desferindo a injúria

Estou nos movimentos
Estendendo esse link
Caindo nos rolés já
Vou curtindo o meu rock
Se é livre o pensamento
Eu digo sim ao skunk
Também sou libertário
Minha galera é a punk

Vou mandar um bomb
Para explodir estruturas
Marcando com grafite
É terrorismo às escuras
Cortando altos stencils
Extravaso essa fúria
Na prosa ou na poesia
Desferindo a injúria

Arte de sabotagem
Conceito Hakim Bey
Poema Molotov
Derruba até o rei
Rumo à revolução
É para onde eu irei
Faze o que tu queres
Esta é a minha lei

Vou mandar um bomb
Para explodir estruturas
Marcando com grafite
É terrorismo às escuras
Cortando altos stencils
Extravaso essa fúria
Na prosa ou na poesia
Desferindo a injúria

Mantenho essa revolta
Com bastante motivo
A vida é uma causa
E é por ela que eu vivo
Não creio na verdade
Pois é tudo relativo
O tempo vai passando
E nada é definitivo

Vou mandar um bomb
Para explodir estruturas
Marcando com grafite
É terrorismo às escuras
Cortando altos stencils
Extravaso essa fúria
Na prosa ou na poesia
Desferindo a injúria

De street na pracinha
Eu botei fé no skate
De bike na avenida
Eu malparei no combate
Surfando com os tutus
Não fiz com eles debate
Também na faculdade
O meu curriculum late

Vou mandar um bomb
Para explodir estruturas
Marcando com grafite
É terrorismo às escuras
Cortando altos stencils
Extravaso essa fúria
Na prosa ou na poesia
Desferindo a injúria

Sem ter medo da morte
Eu me atiro às estradas
Duvido das distâncias
Quero mais alcançá-las
Não só nos prédios altos
Passo pelas quebradas
Respeito a todo mundo
É parte das minhas falas

Vou mandar um bomb
Para explodir estruturas
Marcando com grafite
É terrorismo às escuras
Cortando altos stencils
Extravaso essa fúria
Na prosa ou na poesia
Desferindo a injúria




(...)