quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A antropologia é uma ciência social

Roberto Cardoso de Oliveira, no seu livro O trabalho do antropólogo: ver, ouvir e escrever, não só diz, mas escreve que a antropologia é uma ciência social, de verificação conceitual, que se concentra e que se encontra no atual. É um canal pelo qual se entende o grupal, em que se estende todo o existencial. A etnografia se ocupa da obtenção dos dados que acrescentam ao escopo dos estudos antropológicos melhores fontes e maiores resultados entre os modos de pesquisa dos assuntos estudados. A etnologia foi o exercício cultural da analogia inter-social e dedica-se ao conhecimento dos acontecimentos registrados pelos etnógrafos nas suas experiências: seja nas comunidades mais arcaicas ou nas atuais, quer nos agrupamentos primitivos ou nos de agora. As teorias sociais da teoria social são as ciências sociais de uma ciência social, ou seja, é o desenvolvimento máximo em sentido amplo da antropologia, da política e da sociologia.

O estudante de filosofia da USP no princípio dos anos de 1950 sustentou no primeiro capítulo do seu livro que o trabalho de um antropólogo consiste em observar para compreender e poder registrar o que ele viveu e o que ele viu e ouviu. A visão, a audição e a escrita são as atividades básicas da antropologia. Nas pesquisas antropológicas, o olhar desempenha o papel de observação e é por ele que nós discernimos sobre os grupos estudados, a auscultação social é a segunda etapa do estudo antropológico e consiste em ouvir para entender ao conviver com as pessoas do relato o que elas dizem, e a escrita é tudo aquilo que resulta dessas observações, com exceção, pois, das imagens e das fotografias. Os olhares de um antropólogo são domesticados para analisar pelas teorias, os seus ouvidos foram bem treinados pela hermenêutica, e a sua linguagem foi sempre efetiva. O trabalho do antropólogo é a prática da teoria antropológica.

A disciplina da antropologia, nos estudos conhecidos de Cardoso, não só concebem, mas também demonstram que as teorias sociais condicionam os nossos sentidos cognitivos (a dicção, a audição e a visão) ao fluir da teoria que nós estudamos, pois também a escrita é um meio de fala e a língua na boca é o gosto do céu. É escutando e observando que nos capacitamos para obter os dados nas pesquisas que fazemos e a escrita é o registro fidedigno das nossas teorias e experiências práticas: é escrevendo que nós descrevemos a vivência do que vemos e ouvimos. Apenas o conhecimento efetivo das realidades objetivadas, pelos depoimentos dos modelos naturais entrevistados e estudados, são capazes de dar fundamentação conceitual às hipóteses etnográficas e às pesquisas antropológicas. O diálogo estabelecido entre os etnógrafos e os aborígenes cria uma espécie de interconexão hermenêutica e dialógica entre eles, na qual a concentração na e a compreensão daquela parte (os autóctones) é o seu foco (do antropólogo) principal.

A observação etnográfica é antropológica e antropofágica quando os etnógrafos se inserem nos padrões sócio-culturais das comunidades e das tribos estudadas. Essa metodologia cria um modelo de vínculo afetivo entre eles e possibilita, com mais facilidade, a obtenção de dados valiosos sobre temas variados. A escrita etnográfica constitui a mais elevada forma de expressão na ciência antropológica e, em um sentido mais amplo, quando ela está desvinculada da etnografia, do conhecimento. Mesmo assim, não é considerada como a melhor forma de conhecimento pelos antropólogos, a teoria dos livros escritos. As vivências, para os estudantes da antropologia, são as mais valorizadas formas de experiência. A observação e a auscultação formam etapas preliminares da pesquisa antropológica – consolidadas como teorias depois de escritas. Para Roberto Oliveira, cada indivíduo está situado em um universo socialmente construído e a linguagem totaliza os símbolos comuns de interação entre eles. A pesquisa antropológica traduz a linguagem primitiva em cultural pelos termos da sua ciência. Assim sendo, a etnografia é também, e por consequência, uma sóciografia. Logo, o discurso que se complementa pelas considerações da prática é a fundamentação experimental da teoria sócio-antropológica.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Pre-con-cei-to: prejuízo e consequente desrespeito!
Pre-con-cei-to: precocidade concebida sem contexto!
Pre-con-cei-to: presunçosa convergência ao imperfeito!
Pre-con-cei-to: previgência concutida a qualquer jeito!
Pre-con-cei-to: prevalência conclusiva e sem efeito!
Pre-con-cei-to: pressuposto que não pode ser eleito!


domingo, 26 de fevereiro de 2012

não somos homens e não somos mulheres, nem somos meieres e nem somos meiomens, não somos mulheromens e não somos homulheres, nem somos meiulheres e nem somos homeios! O prazer não tem prefixos: AME

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Conhecer-se é cuidar-se: cuidar-se é conhecer-se

Conhecer a si mesmo é perceber-se como ente consciente dos seus atos e desejos, vontades e atributos, pela introspecção e a visão no interior, em uma busca da verdade na subjetividade, o que não necessariamente quer dizer que ela exista. Cuidar de si é abraçar a própria vida como fato acontecendo, muro nunca construído até o último tijolo, rio que não para as suas águas e correntes ao fazer de si lagoa, mares revoltosos cujas zonas abissais desconhecemos e iremos devassá-las.

Conhecer a si mesmo é entender que o ser de si é construído no em si pelo lá fora, que o que faz de nós quem somos é o que o mundo é, e que o mundo mesmo sendo como é sofre influência do que somos. Cuidar de si é não atribuir aos outros as próprias capacidades e aptidões, não permitir se esvair a nossa originalidade e pensamento criativo, exercido e trabalhado no intuito de fazer acontecer o que é fato que ocorra: o autoconhecimento e a expansão da consciência que prossegue debulhando os empecilhos.

Conhecer a si mesmo é compreender que essa atitude torna os homens mais humanos e que sendo mais humanos estes são mais conscientes, logo o homem consciente é o humano esclarecido, conhecedor das suas próprias faculdades e dificuldades, eficiências e deficiências, debilidades e habilidades, efeitos e defeitos. Cuidar de si é recusar à vida alheia as nossas especulações, concepções equivocadas concernentes ao sujeito além do nosso, preconceitos formulados a partir da idiotice e pela falta de noção: antagonismos digressores aos seus desmoronamentos quando implodem subterram as hipóteses mesquinhas.

Conhecer a si mesmo é a vivência de uma busca que não cessa, pois infinitas são as possibilidades que podemos ter com isso, de modo que a cada passo que nós damos no caminho a nossa estrada se prolonga e o seu fim se distancia. Cuidar de si é importante por nos permitir que as nossas lentes tenham focos diferentes na percepção da vida e que os óculos não quebrem, cegando os nossos olhos para que não enxerguemos o que a nós é necessário: o exercício da subjetividade constitui filosofia.

Conhecer a si mesmo é ser autofágico na perspectiva de que a fome de saber é saciada se a nós compreendermos ao buscar-nos, desobrigados e libertos da ânsia de resultados que esse desejo trás, mantendo como nosso objetivo o progresso do processo de sabermos o que somos. Cuidar de si é não ter preocupações com a conduta de ninguém, não exigindo das pessoas o que é próprio de si mesmo, sem projetar os seus desejos em quem pode desejar, é conseguir ao obter do próprio ser a permissão de ter sentido quando a vida o destruiu.

Conhecer a si mesmo é possuir a sensatez de refletir sobre o sujeito que se é e que se forma no que é como o sujeito que se faz: elucubração que nos permite extrair da existência o que ela tem de mais complexo, ou seja, o nosso entendimento e o seu reconhecimento. Cuidar de si é recusar-se e resistir à renúncia pessoal, buscando sempre sobre a multiplicidade respeitá-la e entender a sua singularidade, pois no meio de muitos não somos tão pouco ao tomar consciência de si como entes diversificados e vivos.

Conhecer a si mesmo é seguir a própria sombra até o ponto em que a luz fizer com que ela nos siga, de maneira a conhecermos esta sombra e permitirmos que a sombra nos conheça enquanto tal e como somos, pois esse lado em nós escuro não pode ser destruído e sim pensado claramente. Cuidar de si é afirmar o quanto somos indivíduos, enfatizando a importância do sujeito singular que se mantém na existência pluralista ao dizer sim ao ser de si no coletivo.

Conhecer a si mesmo é o exercício da filosofia prática, fática por si mesma no que diz respeito ao homem, debruçado sobre si vivenciando o próprio ser, intensamente e desprovido de outros meios que não seja o próprio fim a se chegar e atingir se conseguir. Cuidar de si é encontrar resoluções por conta própria, sem o recurso da calculadora científica usado para obter o valor de tais incógnitas, explorando o que nos é desconhecido, mas que faz de nós quem somos, assim sendo permitimos a nós mesmos não temer e desbravar tais territórios.

Em síntese, conhecer-se é cuidar-se quando olhamos para dentro e percebemos que nós somos o que temos de maneira que importa para nós saber de si sem precisar de mais ninguém classificando ou definindo o que nos é peculiar. Portanto, cuidar-se é conhecer-se quando não é mais preciso que alguém ou qualquer outro realize este trabalho que é nosso de buscar compreender toda a subjetividade que se forma por si mesma, independente dos juízos de valor que sejam feitos sobre ela.