Roberto Cardoso de Oliveira, no seu livro O trabalho do antropólogo: ver, ouvir e escrever, não só diz, mas escreve que a antropologia é uma ciência social, de verificação conceitual, que se concentra e que se encontra no atual. É um canal pelo qual se entende o grupal, em que se estende todo o existencial. A etnografia se ocupa da obtenção dos dados que acrescentam ao escopo dos estudos antropológicos melhores fontes e maiores resultados entre os modos de pesquisa dos assuntos estudados. A etnologia foi o exercício cultural da analogia inter-social e dedica-se ao conhecimento dos acontecimentos registrados pelos etnógrafos nas suas experiências: seja nas comunidades mais arcaicas ou nas atuais, quer nos agrupamentos primitivos ou nos de agora. As teorias sociais da teoria social são as ciências sociais de uma ciência social, ou seja, é o desenvolvimento máximo em sentido amplo da antropologia, da política e da sociologia.
O estudante de filosofia da USP no princípio dos anos de 1950 sustentou no primeiro capítulo do seu livro que o trabalho de um antropólogo consiste em observar para compreender e poder registrar o que ele viveu e o que ele viu e ouviu. A visão, a audição e a escrita são as atividades básicas da antropologia. Nas pesquisas antropológicas, o olhar desempenha o papel de observação e é por ele que nós discernimos sobre os grupos estudados, a auscultação social é a segunda etapa do estudo antropológico e consiste em ouvir para entender ao conviver com as pessoas do relato o que elas dizem, e a escrita é tudo aquilo que resulta dessas observações, com exceção, pois, das imagens e das fotografias. Os olhares de um antropólogo são domesticados para analisar pelas teorias, os seus ouvidos foram bem treinados pela hermenêutica, e a sua linguagem foi sempre efetiva. O trabalho do antropólogo é a prática da teoria antropológica.
A disciplina da antropologia, nos estudos conhecidos de Cardoso, não só concebem, mas também demonstram que as teorias sociais condicionam os nossos sentidos cognitivos (a dicção, a audição e a visão) ao fluir da teoria que nós estudamos, pois também a escrita é um meio de fala e a língua na boca é o gosto do céu. É escutando e observando que nos capacitamos para obter os dados nas pesquisas que fazemos e a escrita é o registro fidedigno das nossas teorias e experiências práticas: é escrevendo que nós descrevemos a vivência do que vemos e ouvimos. Apenas o conhecimento efetivo das realidades objetivadas, pelos depoimentos dos modelos naturais entrevistados e estudados, são capazes de dar fundamentação conceitual às hipóteses etnográficas e às pesquisas antropológicas. O diálogo estabelecido entre os etnógrafos e os aborígenes cria uma espécie de interconexão hermenêutica e dialógica entre eles, na qual a concentração na e a compreensão daquela parte (os autóctones) é o seu foco (do antropólogo) principal.
A observação etnográfica é antropológica e antropofágica quando os etnógrafos se inserem nos padrões sócio-culturais das comunidades e das tribos estudadas. Essa metodologia cria um modelo de vínculo afetivo entre eles e possibilita, com mais facilidade, a obtenção de dados valiosos sobre temas variados. A escrita etnográfica constitui a mais elevada forma de expressão na ciência antropológica e, em um sentido mais amplo, quando ela está desvinculada da etnografia, do conhecimento. Mesmo assim, não é considerada como a melhor forma de conhecimento pelos antropólogos, a teoria dos livros escritos. As vivências, para os estudantes da antropologia, são as mais valorizadas formas de experiência. A observação e a auscultação formam etapas preliminares da pesquisa antropológica – consolidadas como teorias depois de escritas. Para Roberto Oliveira, cada indivíduo está situado em um universo socialmente construído e a linguagem totaliza os símbolos comuns de interação entre eles. A pesquisa antropológica traduz a linguagem primitiva em cultural pelos termos da sua ciência. Assim sendo, a etnografia é também, e por consequência, uma sóciografia. Logo, o discurso que se complementa pelas considerações da prática é a fundamentação experimental da teoria sócio-antropológica.