terça-feira, 29 de maio de 2012

Nietzsche x Copa do mundo

A dominação está pautada nos momentos da História desde a sua antiguidade. Os sumérios foram dominados pelos assírios, que por sua vez, foram ambos coagidos pelos babilônicos. Os assírios, tão reconhecidos pela sua crueldade, foram vencidos pelos medos e caldeus. Subjugados pelos egípcios foram os feníncios e hebreus, sendo os nilopolitas desbravados pelos hicsos.

Como se tem notado, não é novidade a visão de mundo através dos parâmetros dos senhores e escravos, da sua relação com as figuras do dominante e dominado - o que se estende para o medievo (com os vassalos e os suseranos), para a modernidade (com a burguesia e o proletariado) e para a contemporaneidade (com as suas classes médias).

O sentido amplo desta observação poderá ser reduzido às particularidades do nosso cotidiano, aonde sempre vemos os poderosos sobrepujando os mais humildes, segregando a humanidade entre os grandes e pequenos. Quem percebeu a influência da História sobre as relações de dominação foi Hegel, porém quem politizadamente apropriou-se dos conceitos precedentes foi Karl Marx.

Marx entendia que o processo progressivo da História - sob clara influência de Hegel - era um movimento dialético que acontecia através dessas lutas de classes. A essa doutrina ele mesmo deu o nome de materialismo histórico, afirmando que as transformações sociais possuiam bases materiais, ou seja, para ele, a economia de uma sociedade era o fator fundamental para as mudanças dentro dela.

Contudo, o que nos interessa mesmo aqui é a obra de Nietzsche, A genealogia da moral, na qual nos irá ele identificar os pressupostos sobre os quais se fundamenta os seus valores filosóficos, pensamentos e ideias formulados sobre escravos e senhores, perspectivas a respeito de uma provável subversão dessas virtudes pelo fraco em detrimento do que é forte, em síntese: o que é bom e o que é mau, não é o bem nem é o mal, mas é o que foi distorcido para ser dessa maneira.

Como assim? De acordo com o filólogo, boas eram as virtudes do guerreiro, sendo valores que provinham da coragem, da audácia, da virilidade, da robustez e da resistência, contrariamente a inversão que se fez deles pelos fracos sacerdotes, que envenenaram com o seu ressentimento essas virtudes transformando elas em más, enfatizando que as mesmas deveriam ser perdidas, para a fraqueza ser com eles uma arma de domínio.

A casta sacerdotal não está muito distante da nossa classe política, ambas as categorias possuem coisas em comum, pois os políticos corruptos detestam a força do povo, capaz de tirá-los dos seus gabinetes, utilizando em seus discursos elementos que almejam limitá-la, eles vão longe ao dominar com seus ardis os mais apáticos, persuadindo que não deve nenhum deles rebelar-se. De fato a força assusta mesmo o fraco, que necessita utilizar outros recursos de maneira a não ser mais vítima dela, o que nos leva aos mecanismos do escravo mediante o seu senhor submetido. Em poucas palavras: a piedade dos fortes é o desejo e a força dos fracos.

Na atualidade, aqui e agora, nós visualizamos as relações de dominação na sociedade, especificamente nesta cidade: com as obras para a copa em andamento, muitas pessoas perderão as suas casas, o que trará muita revolta para todas as famílias, e as fará reivindicar os seus direitos garantidos pela constituição, que estão sendo violados. Com fome ou sem casa, uma coisa é certa: todos irão perder com isso se ficarem sem fazer alguma coisa, não respondendo à mesma altura aos detentores do poder, legitimará o povo os promotores da miséria.

Portanto, o que Nietzsche quer nos dizer, é que nós precisamos ser senhores de si mesmos, donas da nossa existência e das condições da mesma, pois é com autonomia que se conquista a liberdade, não é fugindo e se escondendo que nós vamos ser ouvidos, e é por isso que à força interior de cada um é necessário fazer parte do conjunto de valores que nós temos esquecido, para que assim nem sejam mais os dominados dominantes, nem sejam mais os dominantes dominados, sendo capazes todos nós de ter a força de ação para ser livres.

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