sábado, 30 de junho de 2012

De Como conhecer a própria mente


Observamos as ações humanas quando queremos conhecer as previsões das atitudes dos humanos. Podemos fazer isso os escutando, conversando com eles, seguindo os seus passos ou estando junto deles. A facilidade que nós temos de acessar os nossos próprios pensamentos é equivalente à dificuldade que sentimos para entender os outros. É mais possível que estejamos enganados a respeito dos pensamentos alheios do que é provável que estejamos acertando ao entender os pensamentos que nós temos. Para saber o que pensamos não precisamos recorrer à observação, ao passo que para conhecer os pensamentos alheios é no mínimo necessário que nós os observemos. As pretensões dos indivíduos são os fatores de análise que justificam as suas possíveis ações. Os indícios dão sustento às pretensões.

As crenças que nós temos a respeito dos nossos estados de espírito são sempre dubitáveis, nunca podem ser concretas, pois a ambiguidade as permeia o tempo inteiro, de modo que assim sendo as nossas vontades influenciam as nossas concepções e perspectivas – o que não nos isenta de uma ilusão construída pelos desejos que nós temos. A pluralidade das possibilidades que existem para a compreensão dos estados mentais é tão ampla, que a confusão estará presente sempre no entendimento dos atos mentais. Para que as palavras tenham o seu significado, é fundamental que exista uma representação mental de todas elas. Os pensamentos, os sentimentos e as emoções podem ser expressos pelas pessoas através das palavras das mesmas, ou seja, se os estados internos dos indivíduos podem ser comunicados, então os eventos exteriores poderão todos eles ser descritos.

O ceticismo nos ajuda a conhecer as nossas mentes. Na medida em que duvidamos, aguçamos gravemente os raciocínios que nós temos. As palavras que são conhecidas por nós, possuem inúmeros significados, tanto para nós, quanto para os outros, e é por isso que achamos dispersados os possíveis pressupostos do saber conceitual. Os fatores oriundos do externo contaminam as nossas crenças subjetivas e são vários os autores que defendem esta visão, entre eles estão Burge e o Daniel Dennet. Outros autores defendem que os estados psicológicos genuínos nada devem aos fatores que existem na objetividade. Stich e Fodor são defensores dessa perspectiva. O que está sendo discutido é como as pessoas conhecem os seus estados mentais e como os outros conhecem os estados mentais das pessoas. Crenças, desejos e intenções são exemplos de estados mentais. Considerar as impressões do mundo externo como definidoras dos nossos estados mentais nos faz compreender que os nossos pensamentos não podem por nós ser conhecidos. 

Os fatores sociais podem influenciar os estados mentais das pessoas, porém não podem controlar completamente esses estados. As crenças sustentadas pelos indivíduos dependem, em muitos aspectos, de outras crenças que eles tenham, e isso não deve ser desconsiderado. As palavras são afetadas pelo contexto social no qual são proferidas. Quando quer ser compreendido o orador adequa o seu discurso às pessoas que estão a ouvir. Sem isso ninguém vai compreendê-lo. Fala-se aos que nos entendem. Para entender-nos é fundamental que falemos de modo que possam fazê-lo. Se desejarmos ser compreendidos em português pelo professor que analisa um bom trabalho por nós feito, não poderemos entregar pronta a labuta em outra língua, quer seja em francês ou em inglês, quer em alemão ou espanhol. As circunstâncias nas quais são escolhidas as palavras definirão suas significações.  As nossas interpretações das descrições que vem dos outros quase nunca são as mesmas que os mesmos nos disseram.

Um pensamento que pode ser influenciado por entes externos não necessariamente se encontra totalmente na cabeça e para que não se encontre totalmente na cabeça ao pensamento é necessário que os entes externos lhe influenciem de forma direta. Os estados psicológicos são infinitos, porém são todos limitados. Acontecimentos mentais com conteúdos diferentes não podem ser iguais por causa do seu conteúdo. Alguns acontecimentos mentais são de caráter físico, alguns acontecimentos físicos são de caráter mental. Irmãos gêmeos são fisicamente idênticos e diferem no psicológico. A linguagem constrói uma ponte que liga o interior para o exterior. A mente domina os estados internos de si. Os estados externos são forças do mundo e não temos controle mental. Os objetos são incapazes de serem alheios ao mundo sensorial. As ocorrências existenciais dos indivíduos focalizam os usos das palavras por eles.

Rio de Janeiro/RJ

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