De Como conhecer a própria mente
Observamos
as ações humanas quando queremos conhecer as previsões das atitudes dos
humanos. Podemos fazer isso os escutando, conversando com eles, seguindo os
seus passos ou estando junto deles. A facilidade que nós temos de acessar os
nossos próprios pensamentos é equivalente à dificuldade que sentimos para
entender os outros. É mais possível que estejamos enganados a respeito dos
pensamentos alheios do que é provável que estejamos acertando ao entender os
pensamentos que nós temos. Para saber o que pensamos não precisamos recorrer à
observação, ao passo que para conhecer os pensamentos alheios é no mínimo
necessário que nós os observemos. As pretensões dos indivíduos são os fatores
de análise que justificam as suas possíveis ações. Os indícios dão sustento às
pretensões.
As
crenças que nós temos a respeito dos nossos estados de espírito são sempre
dubitáveis, nunca podem ser concretas, pois a ambiguidade as permeia o tempo
inteiro, de modo que assim sendo as nossas vontades influenciam as nossas
concepções e perspectivas – o que não nos isenta de uma ilusão construída pelos
desejos que nós temos. A pluralidade das possibilidades que existem para a
compreensão dos estados mentais é tão ampla, que a confusão estará presente
sempre no entendimento dos atos mentais. Para que as palavras tenham o seu
significado, é fundamental que exista uma representação mental de todas elas.
Os pensamentos, os sentimentos e as emoções podem ser expressos pelas pessoas
através das palavras das mesmas, ou seja, se os estados internos dos indivíduos
podem ser comunicados, então os eventos exteriores poderão todos eles ser
descritos.
O
ceticismo nos ajuda a conhecer as nossas mentes. Na medida em que duvidamos,
aguçamos gravemente os raciocínios que nós temos. As palavras que são conhecidas
por nós, possuem inúmeros significados, tanto para nós, quanto para os outros,
e é por isso que achamos dispersados os possíveis pressupostos do saber
conceitual. Os fatores oriundos do externo contaminam as nossas crenças
subjetivas e são vários os autores que defendem esta visão, entre eles estão
Burge e o Daniel Dennet. Outros autores defendem que os estados psicológicos
genuínos nada devem aos fatores que existem na objetividade. Stich e Fodor são
defensores dessa perspectiva. O que está sendo discutido é como as pessoas
conhecem os seus estados mentais e como os outros conhecem os estados mentais
das pessoas. Crenças, desejos e intenções são exemplos de estados mentais.
Considerar as impressões do mundo externo como definidoras dos nossos estados
mentais nos faz compreender que os nossos pensamentos não podem por nós ser
conhecidos.
Os
fatores sociais podem influenciar os estados mentais das pessoas, porém não
podem controlar completamente esses estados. As crenças sustentadas pelos
indivíduos dependem, em muitos aspectos, de outras crenças que eles tenham, e
isso não deve ser desconsiderado. As palavras são afetadas pelo contexto social
no qual são proferidas. Quando quer ser compreendido o orador adequa o seu
discurso às pessoas que estão a ouvir. Sem isso ninguém vai compreendê-lo.
Fala-se aos que nos entendem. Para entender-nos é fundamental que falemos de
modo que possam fazê-lo. Se desejarmos ser compreendidos em português pelo
professor que analisa um bom trabalho por nós feito, não poderemos entregar
pronta a labuta em outra língua, quer seja em francês ou em inglês, quer em
alemão ou espanhol. As circunstâncias nas quais são escolhidas as palavras
definirão suas significações. As nossas
interpretações das descrições que vem dos outros quase nunca são as mesmas que
os mesmos nos disseram.
Um
pensamento que pode ser influenciado por entes externos não necessariamente se
encontra totalmente na cabeça e para que não se encontre totalmente na cabeça
ao pensamento é necessário que os entes externos lhe influenciem de forma
direta. Os estados psicológicos são infinitos, porém são todos limitados.
Acontecimentos mentais com conteúdos diferentes não podem ser iguais por causa
do seu conteúdo. Alguns acontecimentos mentais são de caráter físico, alguns
acontecimentos físicos são de caráter mental. Irmãos gêmeos são fisicamente
idênticos e diferem no psicológico. A linguagem constrói uma ponte que liga o
interior para o exterior. A mente domina os estados internos de si. Os estados
externos são forças do mundo e não temos controle mental. Os objetos são
incapazes de serem alheios ao mundo sensorial. As ocorrências existenciais dos
indivíduos focalizam os usos das palavras por eles.
Rio de Janeiro/RJ
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