sexta-feira, 29 de junho de 2012

O que nem Mary sabia de O que não sabia Mary


Mary nasceu, foi criada e cresceu tendo uma educação em preto e branco, tanto os seus livros eram todos nessa cor, quanto os filmes que a Mary assistia eram eles branco e preto. O quarto de Mary era todo preto e branco, e foi assim que das coisas do mundo ela tomou conhecimento. Considerando os fatos que se mostram, Mary conheceu o que podia conhecer e, de acordo com o fisicismo, não existem outros fatos que não sejam fatos físicos. Para estes pensadores, tudo é físico, nada existe que não tenha natureza física. Na perspectiva dos fisicalistas, todos os eventos, sejam eles mentais ou mesmo comportamentais, são em sua natureza fatos físicos.


Somam-se novas experiências a primeira e tiram Mary do seu quarto para que assim o mundo ela enxergue com as cores que ele tem. É por isso que nem tudo ela conhece, pois das cores ela não sabia nada, tinha impressões. O fisicismo, portanto, é falso quando não nos representa o que podemos conhecer no mundo físico, mas apenas o que nós já conhecemos antes disso nesse mundo, quer dizer, as nossas sensações prévias das coisas. É a partir desta ótica que se faz a crítica do conhecimento contra o fisicismo. Em contrapartida, são elaboradas três notas para este discurso, feitas por Paul M. Churchland. 

O primeiro dos argumentos afirma que não se pode imaginar sem antes ter experimentado, que a imaginação é fundamental para haver a sensação, pois sem esta não podemos ter no mundo das ideias uma forma do que foi nas nossas vidas. Afirma-se que a imaginação é contrária ao conhecimento, e que por isso só são partidários dela aqueles do senso comum. A segunda objeção se posiciona sobre a intencionalidade que é desconsiderada pelos moldes fisicalistas no que diz respeito ao conhecimento. Não é de todo perfeito o saber que nós temos além do comum, no nível das ciências, pois as descobertas estão em mudança frequente, o que nos mostra não ser nada permanente esses juízos que são feitos como sendo universais. O terceiro aspecto desses argumentos se dá quando vemos nas experiências alheias o que nós não vemos nas nossas, pois dependendo de como ela tenha sido, nós podemos nos guiar através delas e saber evitar pontos que nos levem para trás. Para os fisicalistas, o que é novo se descobre, pois as coisas sempre mudam. O fisicismo encontra dificuldade em compreender os estados internos dos entes vivos e plurais. 

Churchland objeta que os estados e as propriedades mentais são diferentes das propriedades e dos estados cerebrais. Os conhecimentos na esfera dos estados mentais são descritivos e os saberes encontrados no âmbito das propriedades cerebrais são tácteis. A conclusão do autor é a de que tanto existem coisas das quais a Mary sabe, quanto existem coisas que a Mary não conhece.  O conhecimento que Mary tinha antes de ser libertada não era completo, ele carecia de pontos importantes para ser mais coerente, sendo mais objetivo ao não ter mais completude. Prosseguindo com as suas objeções o autor se certifica de que Mary possuía informação em demasia no primeiro dos seus argumentos, o que lhe garantiu um bom respaldo tanto sobre o dualismo quanto sobre o fisicalismo. O último dos argumentos mostra que o fisicismo é falso, quer venha a partir da imaginação, quer venha através d’outra questão. 




Rio de Janeiro/RJ  

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