Mary
nasceu, foi criada e cresceu tendo uma educação em preto e branco, tanto os
seus livros eram todos nessa cor, quanto os filmes que a Mary assistia eram
eles branco e preto. O quarto de Mary era todo preto e branco, e foi assim que
das coisas do mundo ela tomou conhecimento. Considerando os fatos que se
mostram, Mary conheceu o que podia conhecer e, de acordo com o fisicismo, não
existem outros fatos que não sejam fatos físicos. Para estes pensadores, tudo é
físico, nada existe que não tenha natureza física. Na perspectiva dos
fisicalistas, todos os eventos, sejam eles mentais ou mesmo comportamentais,
são em sua natureza fatos físicos.
Somam-se novas experiências a primeira e tiram Mary do seu quarto para que assim o mundo ela enxergue com as cores que ele tem. É por isso que nem tudo ela conhece, pois das cores ela não sabia nada, tinha impressões. O fisicismo, portanto, é falso quando não nos representa o que podemos conhecer no mundo físico, mas apenas o que nós já conhecemos antes disso nesse mundo, quer dizer, as nossas sensações prévias das coisas. É a partir desta ótica que se faz a crítica do conhecimento contra o fisicismo. Em contrapartida, são elaboradas três notas para este discurso, feitas por Paul M. Churchland.
O
primeiro dos argumentos afirma que não se pode imaginar sem antes ter
experimentado, que a imaginação é fundamental para haver a sensação, pois sem
esta não podemos ter no mundo das ideias uma forma do que foi nas nossas vidas.
Afirma-se que a imaginação é contrária ao conhecimento, e que por isso só são partidários
dela aqueles do senso comum. A segunda objeção se posiciona sobre a
intencionalidade que é desconsiderada pelos moldes fisicalistas no que diz
respeito ao conhecimento. Não é de todo perfeito o saber que nós temos além do
comum, no nível das ciências, pois as descobertas estão em mudança frequente, o
que nos mostra não ser nada permanente esses juízos que são feitos como sendo
universais. O terceiro aspecto desses argumentos se dá quando vemos nas
experiências alheias o que nós não vemos nas nossas, pois dependendo de como
ela tenha sido, nós podemos nos guiar através delas e saber evitar pontos que
nos levem para trás. Para os fisicalistas, o que é novo se descobre, pois as
coisas sempre mudam. O fisicismo encontra dificuldade em compreender os estados
internos dos entes vivos e plurais.
Churchland
objeta que os estados e as propriedades mentais são diferentes das propriedades
e dos estados cerebrais. Os conhecimentos na esfera dos estados mentais são
descritivos e os saberes encontrados no âmbito das propriedades cerebrais são
tácteis. A conclusão do autor é a de que tanto existem coisas das quais a Mary
sabe, quanto existem coisas que a Mary não conhece. O conhecimento que Mary tinha antes de ser
libertada não era completo, ele carecia de pontos importantes para ser mais
coerente, sendo mais objetivo ao não ter mais completude. Prosseguindo com as
suas objeções o autor se certifica de que Mary possuía informação em demasia no
primeiro dos seus argumentos, o que lhe garantiu um bom respaldo tanto sobre o
dualismo quanto sobre o fisicalismo. O último dos argumentos mostra que o
fisicismo é falso, quer venha a partir da imaginação, quer venha através
d’outra questão.
Rio de Janeiro/RJ
Rio de Janeiro/RJ
Nenhum comentário:
Postar um comentário