sábado, 30 de junho de 2012

Sobre Como é ser um morcego


Depreender a consciência na perspectiva da mente e do corpo é quase impossível. As análises deveriam seguir-se de outra maneira, de modo mais inteligível.  Os reducionistas são cientistas modernos analógicos.  Os filósofos explicam o mundo numa terminologia compatível com aquilo que entendem e isso permitiu que o mental fosse entendido de um modo não tão vasto quanto poderia ser.


As experiências conscientes acontecem entre os mais variados níveis de vida animal. Não podemos ter certezas precisas sobre a ocorrência desses fenômenos nos organismos mais simples, como por exemplo, no dos morcegos. Os estados de consciência “são como ser” os organismos em questão no qual ocorrem. As experiências conscientes são subjetivas.


Para entendermos as teorias fisicalistas, nós precisamos inferir o caráter subjetivo da experiência consciente. Se quisermos defender o fisicalismo, precisamos oferecer explicações físicas para os fenômenos em voga. A subjetividade impede que esta explicação seja possível. Os morcegos são bastante diferentes dos humanos, e por isso quando nessa condição nós não podemos perceber como os morcegos.


A nossa subjetividade parece e é diferente da deles (se é que a tem) – ou tem? Apenas os morcegos poderiam responder. Vamos supor que eles tenham. Mesmo procedendo assim não poderemos ter certeza sobre isto. Sabemos da nossa subjetividade, mas da dos morcegos, só eles quem sabem, e se souberem. Não podemos compreender todos os fatos, assim como não somos capazes de representar todos eles. Impossível para nós seres humanos descrever exatamente como é ser um morcego. De qualquer modo, a imaginação é um recurso ilimitado. Cada um desses fatos encerra em si múltiplas particularidades. 


Não podemos saber como é ser um morcego sem sermos morcegos. E como não somos nem podemos sê-los, jamais saberemos. Assim também não poderão eles (os morcegos) saberem como é ser como nós, pois os morcegos não tem consciência sequer de quem são quanto mais do que somos e como.  As nossas experiências partem dos nossos pontos de vista e perspectivas, bem como das nossas escolhas, assim como das nossas ações. Por vezes o reducionismo simplifica os conceitos e acentua a compreensão dos estados mentais.


O que existe fora de nós é a essência do que há dentro de nós, o mundo exterior é um reflexo do nosso interior. Mesmo considerando a existência de um caráter subjetivo nas experiências conscientes, nós não podemos no momento elucidar como isso ocorre. Para o fisicalismo, “os estados mentais são estados corporais, os eventos mentais são eventos físicos”. A mente, para um fisicalista, não está dissociada do corpo sob qualquer circunstância.  Não sabemos exatamente quais estados são quais estados, mas a teoria parte do princípio de que sejam todos eles. Uma teoria não se decora: se aprender, se entende, interpreta-se. 




Rio de Janeiro/RJ

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