E aprende que viver não significa matar-se, e que filosofia nem sempre enche a pança.
E começa a aprender que desejos não são baratos, e parentes não são remessas.
E começa a aceitar as bancarrotas como a peça perseguida e aos trambolhos ir andante, com a taça ou no tumulto e não com a incerteza de uma lembrança.
E aprende a disferir todas as suas bofetadas no que surge, porque o terreno do afã é concreto demais para os panos, e o monturo tem o chorume de puir o coração.
Depois de um tempo você aprende que o álcool não é uma guloseima se lavar o corpo e fluir por dentro.
E aprende que não importa o quanto você se exorte, algumas pessoas fatalmente não se exortam.
E rejeita quando vê morta uma pessoa que seja boa, pois isso vai arrasá-lo de vez em quando e você precisa esquecê-la, por isso. Aprende a ver o fim das ilusões irracionais.
E descobre que se levam anos para se instruir nas finanças e segundos para consumi-las, e que você corre ao ter gastado radiante mas que se repreenderá depois do resto da corrida.
Aprende que as cabeleiras e as unhas continuam a crescer mesmo nas densas profundidades.
E que não importa o que você viu na vida, mas o que você fez na vida.
E que bons amigos são todos os livres e livros que nos permitiram pensar.
Aprende que não precisamos matar inimigos se estabelecermos que eles se matem, percebe que seu pior inimigo e você estarão numa lousa, ou cova, apodrecendo com os juncos.
Descobre que as nódoas com as quais você mais se desconforta na lida são marcadas em você de forma expressa, por isso sempre devemos desprezar as pessoas que odiamos com palavras furiosas, podem ser numerosas as vezes que as encontremos.
Aprende que as substâncias e os componentes tem diligência sobre nós, e que somos demonstráveis quando a esmo.
Começa a aprender que não se deve confrontar com os tolos, mas com o doutor que nos faz conhecer.
Aprende que não importa o quanto você acertou, mas se está acertando, pois se você não sabe o que está fazendo, é certo que erres.
Aprende que se você se descontrola, os outros te amarrarão e te espancarão, e que ser irreprimível não é ter peito de aço ou não ter sociabilidade, pois não importa se você foi internado ou foi parar no cemitério: sempre existem dois laudos.
Aprende que destrói não as pessoas que criaram o que era temerário de fazer, e vai perdendo a consciência.
Aprende que a conveniência requer muita métrica.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera para te salvar é aquela que te dá um tiro e que te faz morrer.
Aprende que insanidade tem mais a ver com os tipos de imprudência que se manteve e o que você escolheu para si, do que com quantos itinerários você se ocupou.
Aprende que a paz não é mais o que você supunha.
Aprende que o nunca e o breve mantém uma dança, que destroços não são engrenagens, e que loucas pesquisas são tão dissonantes que seria uma comédia se alguém pensasse nisso.
Aprende que a sua lábia, quando no direito, faz a sua casa, mas que isso não nos dá um jeito de ir morar no céu.
Descobre que só porque alguém não o chama do jeito que você quer que chame, não significa que esse alguém não o chama, pois existem pessoas que nos chamam, mas humildemente não sabem como escrever isso.
Aprende que jamais será decente enquanto sustentado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a ser do faça você mesmo.
Aprende que com a mesma celeridade que você vadia, também tão rapidamente estará degradado.
Aprende que não importa em quanto espaços a sua atuação foi dividida, no fundo o teatro é a fome e a peste.
Aprende que o momento não é pago para estar um pouco mais.
Portanto, nada é bem assim, então complete a sua falta, ao invés de implorar que um alguém lhe tire as dores.
E você aprende que decadente pode se arrastar... que mesmo nos braços da morte você pode ser audaz, proferindo a derradeira palavra vivaz.
E que finalmente a sua vida se acabou, porém no mundo não deixou de haver vida.
Nossas dúvidas são libertadoras se nos fazem ter resposta ao que queremos perguntar, se não fosse o enredo a se finalizar.
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