Chovem pássaros mortos
Como as folhas que caem das árvores
Estou distante e a minha metade é pequena
Os meus braços erguidos perderam a força da súplica
E a luz não voltará tão cedo à minha perspicácia
As cordas do meu violino não tem harmonia
O vento assopra a trompa da minha penúria no fosso profundo
A força dos contratos enfraquece a minha vida
E acentua a minha angústia
O veneno das estrelas misturado na bebida
Trará o trago da felicidade do nosso destino
Esqueço o banquete dos pedaços vitrais
Aborto os discursos da sua ironia
São mortos os tempos da roupa que visto
Não vejo conexões entre as sombras da fantasia
Permito que a noite venha a mim como um fantasma
E que a lua para sempre escurecida me ilumine
Que os amores me encantem como a minha estupidez!
As correntes do meu leito me sufocam
Já tive olhos que um dia me serviram
Ouço os lamentos que não posso atenuar
Existe vida ao meu redor,
Porém não sinto a minha vida
Por um suspiro quero dar tudo que tenho
Danço com a certeza do último baile
Canto a partir dos juízos do meu coração
Imagens de livros habitam os meus sonhos
Soberana escuridão distanciada das saídas
Não tenho mais o brilho do sorriso abarrotado
É uma ausência que me traz sua presença
O telescópio amplia as minhas condolências
Bateram palmas para a minha extravagância
Quando os passos estão fracos,
São os pratos que estão secos
Alimento-me da fome do meu corpo
Adormeço estranhamente antes do tempo
Tenho o chão para cair quando morrer
Recuso-me a vestir indumentárias
Farei sem elas o melhor da minha vida
Para escutar a voz dos bichos que não andam
Invadirei uma floresta com a letargia das trepadeiras
E na paixão soluçará o desespero
Lua clara dos glorificampos abertos
Descoberta no corpo do nosso planeta disperso
Dobradas para mim estão as hastes de metal
Não sei o que fazer para anular o sofrimento
O alarme das fugas anuncia
A madrugada que a vida atravessa
E a lua se eleva sobre os mares
Para que os astros errantes se percam no tempo
Unidos pelo ócio das poltronas
Vasculhando a solidão do gabinete
A falta de sentidos é a trilha que me guia para dentro e para baixo
Para os lados pelo fora
Sobre os dias pelas horas
Quando explodo os atrativos
E fustigo as emoções:
Que o resto seja das moscas e das chamas.
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