Os escravos sem senhores são os servos voluntários. Os senhores sem escravos são os donos de ninguém. (RN)
A supremacia hegemônica das potências dominadoras é superada pela transição de um estado alienado para um de consciência, como o pensamento autônomo e, por consequência, a liberdade de ação sobre a esfera social é ampliada. (PB)
Enquanto houver a repressão, não haverá obediência, pois a desobediência é a condição da liberdade, e posto que por ela (pela desobediência) não se estabelecem as dominações da consciência, que é o aparelho principal para a determinação do nosso ser social, bem como das nossas atitudes no contexto das mudanças, é na recusa de servir que não serão mais os escravos submissos. (PE)
Combater a permanência do status quo é a condição para que o poder se disperse das mãos dos senhores das massas, dos deturpadores das consciências e dos opressores do pensamento. As organizações de natureza hierárquica são a vala da autonomia humana, sempre castrando o potencial dos homens e a profunda consciência das mulheres, nos afastando da realização plena das nossas capacidades, visto que a competitividade é o esquema do sistema para as classes dominantes explorarem as mais desfavorecidas, ao passo que a solidariedade é o trunfo da anarquia, sendo a generosidade dos senhores de si mesmos. (AL)
A autonomia consiste em não ser manipulado, pois submissos não podemos ser quem somos. Enquanto nós tivermos os nossos senhores, não seremos senhores do que nós teremos, não seremos donos de nós mesmos, e se não somos nem sequer donos de si, então nós não teremos as condições de sermos senhores sem termos escravos. Ter identidade é ser o seu representante: o dono da sua vida e das condições da mesma. Quando não fazemos nada do que os mestres determinam, quando não obedecemos e não reverenciamos, afirmamos que nós nos emancipamos. Só serão poderosos os senhores, enquanto o seu escravo permanece alienado, pois sem senhores os escravos não terão a quem servir, e se os escravos não tiverem mais ninguém para servirem, logo, os escravos serão os seus próprios senhores. (SE)
A recusa ao comportamento servil constitui a força revolucionária da revolta contra os mestres. Os sonhos com a liberdade são realidade quando a força da vontade sobrepuja a fragilidade. Os escravos, só serão livres quando preferirem a morte à submissão ou a liberdade ao invés da prisão. Os senhores só serão expropriados quando os escravos não forem mais servos. Em síntese: é apenas pela negação à servidão que o escravo se torna o senhor de si próprio.
Aonde a subjetividade triunfa, a servidão voluntária fracassa. Quanto mais sofisticados os senhores forem, tanto mais bestializados serão os seus servos, pois para que alcancem um estado de poder absoluto sobre as vidas ao redor, é necessário que oprimam com a mesma intensidade os que lhes cercam. Os senhores que precisam de escravos são tão fracos que não são sequer senhores, pois é a fraqueza que submete ao controle o poder, levando as classes dominantes a depender dos que dependem dos seus meios. Os opressores são alienados ativos e os oprimidos são alienados passivos: ambos não escapam do mascaramento que a realidade sofre por esses papéis assumidos, são simultaneamente alienados, marionetes de um teatro das aparências. Os explorados tem apenas um motivo para as suas condições: o temor. Os exploradores tem apenas um motivo para o seu próprio temor: a revolta. Não ter mais medo de viver é responder com atitudes libertárias opressores conhecidos, como as autoridades instituídas pela burocracia social-hierárquica.
Para os senhores antigos, existiam duas maneiras pelas quais os seus escravos poderiam ser por eles libertos: a alforria ou o sacrifício. Na atualidade, a escravidão acaba pela quebra dos contratos ou pela demissão – o que não exclui subsequentes represálias no primeiro caso e lastimáveis consequências no segundo ponto. No futuro, a organização será uma corrente capaz de prender para estrangular o poder sobre si de escolher e agir. A rebelião como meio de emancipação, está em voga tanto no passado quanto no presente e será para sempre uma maneira de fazer-se independente, a chave mestra para todos os cadeados, a dinamite para todos os grilhões.
A finalidade do processo histórico, que se concretiza pela luta das classes, é a emancipação dos oprimidos e a aniquilação dos opressores, é a completa e irreversível destruição dos senhores pelos servos, é a bem quista abolição da dominação pelos dominados, é a inquestionável rebelião contra os magnatas pelos explorados. Quando a dialética da história é interrompida pelos poderosos, o progresso da humanidade é estagnado e isto acaba por comprometer a emancipação das massas, portanto, fica a critério do povo poder transgredir para continuar a se desenvolver. (BA)
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