O antropólogo brasileiro Roberto DaMatta entende, ao escrever o que é ter cultura, no início do seu micro-artigo que pergunta se Você tem cultura?, que este conceito pode ser compreendido tanto no âmbito dos conhecimentos que nós adiquirimos através dos vários meios disponíveis e maneiras diferentes de saber, quanto podem englobar certas peculiaridades e costumes de um povo, bem como abarcarem as características definidoras e diferenciadoras das diversas comunidades e das inúmeras sociedades humanas. Em poucas palavras, o estudante da sociedade quer nos dizer que a cultura é um aparelho pelo qual se pode melhor conhecer este mundo em que somos.
Por suas três ou quatro páginas, DaMatta nos diz que o termo cultura é depreendido pelo senso comum como sinônimo de satisfação, complexidade, erudição, conhecimento, educação, sabedoria, arcabouço teórico, bagagem científica, cadebal acadêmico, em suma: tudo aquilo que pudermos conhecer, compartilhar e ter conosco. Definida de outro modo, a cultura pode ser compreendida, e é vista dessa forma, como os aspectos particulares de determinados grupos, as suas especificidades evidenciadoras e os detalhes que os fazem ser como e quem são.
Nos termos utilizados pela ciência antropológica, Roberto nos diz que a cultura é "um conceito-chave para a interpretação da vida social", quer dizer, são todos os fenômenos que afetam e permeiam toda a coletividade sobre a qual os indivíduos coexistem. Para os antropólogos, a cultura é o terreno sobre o qual serão defendidas as teses construídas pela sociologia do espaço. Nela estão inseridos os comportamentos, os hábitos, as peculiaridades, as particularidades e os costumes de um povo, ou seja, os fatores determinantes para o reconhecimento da diversidade e das diferenças entre os povos mais distintos conhecidos pelas observações.
Quando consideramos a cultura somente em seus aspectos cognitivos, acabamos excluíndo a sabedoria das comunidades e grupos que não tem acesso a isso, o que é discriminatório e deve ser evitado, pois são muitos os incultos que não são ignorantes e que tem uma cultura diferente e primitiva em relação à nossa prórpria, ou seja, todos nós temos cultura. Em outras palavras, os selvagens não são como nós, são como eles, e sendo eles logo são quem eles são; portanto, nós como nós somos nós, que nem eles que são eles entre eles: ambos iguais na diferença. Vários indivíduos singulares, cada qual particularmente próprio, através da cultura se homogeneizam e interagem por esse caminho, posto que este cria uma corrente aonde os elos se correspondem.
As subculturas, consideradas marginais por estarem na margem das outras maiores, são aprofundamentos realizados na própria cultura por ela, isto é, não devem ser menosprezadas e esquecidas, mas sim analisadas e observadas como são, pois, as culturas. A totalidade da cultura também encerra em si as diferenças mais profundas e são estas que a fazem ter sentido sem ser superficial: "um outro modo de perceber e enfrentar a diferença cultural é tomar a diferença como um desvio, deixando de buscar seu papel na totalidade". Em síntese: "cultura é um conjunto de regras que nos diz como o mundo pode e deve ser classificado".
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