quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Différance

Jacques Derrida desenvolve o termo homofônico à palavra francesa différence, elaborando assim o seu conceito de différance, que nas concepções da fonética soa de maneira idêntica ao convencional vocábulo francês. Derrida brinca com as palavras, atribuindo a estas, significados semelhantes, mas não iguais, na perspectiva de fazer o diferir tornar-se o diferenciar. Na filosofia de Saussure, ambos os termos se relacionam intrinsecamente por determinação e reciprocidade, de maneira a não criarem um significado em si, o que, através de uma sincronia, nos conduz a um esquema, a uma língua, a uma definida passividade, a uma estrutura.

Quando Derrida se aprofunda nos seus mergulhos na fenomenologia de Edmund Husserl, utiliza pela primeira vez o já citado termo, de modo que agora o mesmo torna-se uma chave de acesso para se compreender o que o nosso pensador quer expressar. Em um ensaio publicado cujo título é homônimo ao conceito, Derrida afirma que existem duas possibilidades de compreensão do termo: o adiamento e o espaçamento. A primeira sugere que os signos, assim como também as palavras, são incapazes de evocar completa e perfeitamente os próprios significados (o que pode acontecer com o recurso do uso de mais palavras), e a segunda propõe o surgimento de relações duais como força diferenciadora entre esses elementos.

Em outras palavras, o que acaba sendo exposto aqui é o fato de que aquilo que possui uma existência lexical poderá significar coisas diversas mesmo tendo uma palavra e não mais outras que expressem o conteúdo desejado numa forma objetiva essencial, ou seja, não necessariamente estão vinculados às imagens correspondentes os significados das palavras referentes ao que faz essas imagens terem formas mais concretas, quando são representadas pelos sons dos seus fonemas, podendo ser preciso a recorrência ao uso das demais palavras no intuito de poder fazer surgir um significado e assim possuir a palavra a forma certa da imagem referente ao seu significado.

A grafia da palavra proposta por Derrida tem como objetivo a separação – pelo menos a distinção – entre o que nos é inteligível e o que nos é sensível. Sim, pois quando lemos não ouvimos, e ao ouvirmos não mais lemos de modo tal que entre a palavra différance e différence a diferença que existe é só uma questão de letras no que diz respeito à fala. Différance, portanto, é um conceito que agrega muitas possibilidades para o significado e para o significante.

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