sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Inquietações

Quando houveres apagado

Ou escrito com o seu alfabeto de planos,

Quando as ruas deixarem de poluir

O oxigênio corrosivo dos artistas errantes,

Teremos a chuva debaixo do sol

E o mormaço abraçado nas ventas,

Como o doce sabor de um ponto

Perdido no suco de clorofila?

Deram-nos a receita para os riscos que corremos,

Poderemos saber reduzir os danos?

Porque, no jardim de Epicuro,

Sempre anoitece mais cedo

E o luar lá se conjuga como verbo;

Pendant qu' il y aie la represssion,

Não haverá obediência!

Il n' y aura pas de l' obéisance,

Enquanto houver a repressão!

Vamos ao que for demais,

Deliremos juntos pelo desespero

E quando houver o dia amanhecido,

Que se quebrem as garrafas pelo chão,

Nas águas calmas estaremos flutuando,

Sem entender qualquer problema

Em distração demasiada e ociosa,

Pois no momento em que chegar a tempestade

Já estaremos cada qual em nossa ilha,

Formaremos todos nós um continente,

Sem saber se há no sol marés de fogo,

Com uma onda de calor nos dissolvendo!

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