Na perspectiva orgânico-visceral característica freqüente no pensamento filosófico de Nietzsche, o homem é compreendido pelo pensador como um “animal inteligente” que está sujeito a morte e ao degrado, mas que mesmo nessa condição é capaz de conceber pontos de vista concernentes ao que está na natureza ou a si mesmo sem passar por cima disso quanto a tais formulações, ou seja, mesmo sendo o detentor possuidor da qualidade mencionada este não pode transcender o que está na natureza ao ir além dos seus limites, pois a morte é o seu fim e quando ocorre não se pode conhecer nem se pensar sobre o que há no depois disso.
Em outras e poucas palavras, laconicamente eu diria, o intelecto do conhecedor não se perpetua para sempre como faz o universo, sendo perecível junto do conhecedor que, iludido pelo orgulho que o conhecimento traz, acredita estar além dos outros seres existentes partilhando com os mesmos uma falsa consciência sobre si e sobre o mundo; em síntese para este parágrafo: a vaidade conduz ao engano, ou seja, às ilusões perceptuais sobre si e sobre os seres mais diversos.
Na maior parte das vezes, pode a busca pela verdade, converter a nossa vida na mentira consciente pela qual nós existimos, de modo que sempre fará parte do seu desenvolvimento o equívoco e a insensatez no que diz respeito à realidade concreta das formas sensíveis e atos vividos na experiência com o mundo que temos estamos e somos. Em suma, consiste “roncar” em vencer tais barreiras impostas por essa moral recalcada e viver o que nos for possível da melhor maneira que houver, posto que se for de outra forma não nos realizaremos como a força, sendo fracos conduzidos pelas sensações constantes que nos mentem todo o tempo.
Conhecer para o homem é, na realidade, muitas vezes iludir-se se não for inteligente, ou seja, se puder sobrepujar o vão orgulho que existe pelo fato de poder apreender os conteúdos existentes, poderá ele não ser vítima de si ao conseguir essa proeza que consiste não somente em perceber que é mortal, mas que também outros virão logo após estes que já foram destruídos pela lei da natureza.
A realidade no e do intelecto humano consiste, para Nietzsche, portanto, em lidar com o que não existe, mas busca existir se mantendo como as ilusões que se mostram e nos ludibriam, de maneira tal que a nossa tarefa é a de transformar o que for ilusório ou inconcebível em formas concretas de percepção e também solidez, para que assim conheçamos de fato o que pode tornar-se conceito.
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