Saturado de odores moribundos dos banhos que dispensava, ficou horrorizado com a limpeza dos massacres, com a higienização de sangue coagulado que deixou marcas por toda a história, e preferiu continuar irmão das moscas nos detritos.
Testemunhou impotente o massacre de Nanquin e não foi estuprado. Fingiu-se morto no massacre de Babi Yar e não foi visto, porém a sua genealogia não escapou à noite de São Bartolomeu. Preso e condenado à morte atroz, por ironia da maldade, ele escapou da extinção durante o NKVD sobre a Floresta de Katyn.
Da revolta de Teodósio da Tessalônica cuja dança sanguinária ocorreu sob as águas de um rio vermelho, ao sionicídio que explodiu várias famílias em Granada, dos esqueletos empilhados na falta de catacumbas em Batak, aos relatos desesperados e confusos de William Brydon, os seus olhos contemplaram mais tragédias do que Ésquilo, Sófocles e Eurípedes.
Nem a velhice foi capaz de conceder-lhe algum sorriso, pois quando toda a sua vida retornava para vê-lo, ele morria sob os golpes de fuzil que deformavam suas rugas e rasgavam sua carne ressequida e os pedaços dos seus dentes destroçavam, em um dos guetos incontáveis e estreitos de Saabra ou de Satila, como um grito em meio a tantas outras vozes torturadas.
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