segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A lógica das partes do discurso

Os nomes próprios podem nos trazer complicações e fomentar percalços no nosso caminho. Estes nomes são o referencial que a singularidade possui. Eles significam tanto o que são quanto o que podem ser. Inserem-se naquilo que representam, em tudo quanto fazem parte, assim como também no que são eles por si mesmos. Um nome tem um significado, mas a sua compreensão nesses termos é mediada pela influência da subjetividade integrada ao conteúdo desse nome. Na lógica, a linguagem é de suma importância para a comunicação, diferenciando-se do julgar subjetivo das palavras. A imprecisão que define os conteúdos expressos dos nomes próprios exclui os muitos significados quando agrupa pensamentos sobre as possibilidades para eles. Nos sistemas de pensamento lógico, não são os nomes que tem significados, mas as sentenças bem formuladas. As sentenças possuem suficiente conteúdo para fazerem-se validar. Os nomes são a referência que nós temos sobre eles.

Frege acreditava que os nomes transcendiam as referências. Para ele, as negações possuem um efeito pedagógico diferente do das afirmações. Quando as mesmas proposições os nomes exprimem, podem ou não, com isso, significar alguma coisa, ou seja, é possível que tanto sejam eles para nós informativos, quanto podem todos eles nada significar. A teoria da referência discorda de Frege e postula que todos os nomes correspondem às suas respectivas referências (nada mais nada menos). O ato de descrever para definir o que os nomes geram, é amplamente rejeitado pelos casualistas: eles acreditam que não é essencial a relação que tem os nomes com as suas referências, pois “nesta teoria, não existe nenhuma descrição particular que possa ser considerada como responsável por fixar a referência”. Entre um e dois, dois contém um consigo dois: sentenças podem transmitir a mesma coisa de maneiras variadas, de modo que Frege considerava problemático que as sentenças de identidade sempre fossem informativas.

Para Russell, os nomes possuem referenciais que nem sempre são utilizados. As sentenças, para ele, ditadas de que modo fossem, poderiam contribuir para a consolidação estruturada dos seus referenciais. Na sua teoria das descrições, Russell argumenta que “um nome próprio é, do ponto de vista do seu significado, equivalente a uma descrição definida. Nem sempre os nomes correspondem ou equivalem aos seus significados: o super-homem voa, mas Clarck Kent não. Ora, o super-homem é Clarck Kent, mas os poderes que este possui são diretamente atribuídos à figura do super-herói, portanto o referencial do nome é outro. Kripke desenvolveu três argumentos contra o descritivismo, na intenção de demonstrar que a teoria estava errada. Foram eles: o argumento modal, o argumento epistemológico e o argumento do erro. O primeiro desses argumentos, procura expressar as possibilidades convertidas nas impossibilidades pelos descritivistas. O segundo desses argumentos, considerando a veracidade necessária e a transitoriedade contingente, exprime a sua proposta nos termos gerais do conhecimento: isso faria Kripke concluir que as sentenças a priori se tornariam a posteriori e vive-versa. O terceiro e último desses argumentos, estabelece contra o descritivismo a imposição de que os nomes aos quais atribuímos referências determinadas, por uma série de motivos práticos, podem nos mostrar que tudo isso está errado.

John Searle aperfeiçoou o descritivismo, acrescentando aos nomes, numerosos agregados com diversas descrições. Para ele, poderia uma particularidade ser compreendida nos limites das suas próprias características corretas. De acordo com Searle, termos equivalentes poderiam ser comparados, e por essa consideração, seriam capazes de influírem sobre muitos outros nomes de uma vez: um nome, para ele, carrega consigo muitos outros, que lhe são associados para dar mais consistência e concretude ao seu escopo. A conclusão de Kripke, determina que os nomes não são tão descricionais quanto poderiam, e para Searle, os mesmos nomes tem na sua formação as referências mais distintas que se pode associar ao conteúdo descritivo que possuem. Posto que Frege nos afastou do significado dos nomes como a sua referência direta, no momento reforçamos que a “teoria da referência direta dos nomes” faz sentido, pois Kripke distingue a referência fixada sobre um nome, dos sinônimos que damos para eles, quer dizer, “fixar a referência sem dar um sinônimo é o que acontece quando alguém dá uma descrição ao responder à questão sobre o significado de um nome”.

Referências são afirmações descritivas para determinação de algum nome, com o conjunto das particularidades que lhes são atribuídas, pois “o referente de um agregado relevante de descrições realiza a função de determinação do referente”. Para que uma referência seja fixada, é necessário que primeiro a maioria das pessoas tenham elas como fixas, ou seja, é preciso que exista um número de partidários para que elas se façam valer. Para serem como o são e o que são os objetos não precisam de nenhuma descrição! Pode ou não um nome corresponder ao que expressa, porém, a ocorrência dessa analogia associativa entre os nomes e os fatos não é algo tão freqüente, visto que as equivalências lingüísticas encontram-se nas definições que nós temos dos nomes.

A vagueza de um argumento será determinante para a sua validade. Quanto menos objetivas estiverem as sentenças, tanto mais sujeitas a não terem validade estarão elas. Alguns argumentos que parecem válidos, quando bem analisados se demonstram ilegítimos. Os predicados vagos podem ser infinitamente aplicados sobre todos os aspectos, das maneiras mais diversas, sob as formas variadas, pois não tem limites precisos. A lógica trivalente surge para destruir as ambivalências, baseando-se no princípio do que poder ser ou não ser; ao passo que a lógica bivalente tem como fundamentação argumentativa a perspectiva do que é e a do que não é.

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