segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A necessidade é realmente necessária?

O que não for necessariamente verdadeiro, pelas evidências poderá ser contingente. Uma verdade será necessária quando nenhuma hipótese puder falsificá-la. O verdadeiro anula a possibilidade, faz extinguirem-se os caminhos, mostra-nos apenas o seu foco, leva-nos ao mundo produzido, prende-se no que não há mais dúvida. Se x odeia médicos e quer ser um deles, concluímos que x se odeia. Certezas concebem-se pela auscultação, e no momento em que não mais se obtiverem, é bem provável que estaremos todos mortos. No necessário e no possível existe a lógica modal, estruturada em 1915 sob aspectos modernos e reconhecida pelos seus mecanismos operacionais que entre eles se definem. Ser modal por exigência habitual no atual não é um mal, pois é normal que um canal consensual tenha um final conceitual. A lógica busca uma verdade da qual nós não podemos duvidar, procura estabelecer uma regência da necessidade sem que nós possamos disso discordar, investiga o transitório para nessas ilusões não mergulhar e pesquisa nos seus moldes os modos verdadeiros de poder se apresentar: para os modernos modais, “toda verdade lógica é uma verdade necessária e se nós pudermos mostrar que uma proposição segue-se logicamente de uma verdade necessária, então essa mesma proposição é necessariamente verdadeira”.

É inquestionável o fato de que a morte é uma parada respiratória, cardíaca e cerebral acontecendo nessa ordem, mas nós podemos duvidar do que não mostra essa certeza. No presente, cabe a lógica modal as preocupações com a problemática referente aos deveres e às crenças, depois que os pensadores alteraram os critérios definidos do possível e do necessário, inserindo-lhes mais novas teorias. Para Quine, a validade é um argumento estruturado na verdade das suas próprias conclusões indubitáveis e também intransponíveis, porém a sua explicação não oferece a teoria que exponha uma maneira pela qual asseguremos a verdade das sentenças através da conclusão. No início dos anos 60, os filósofos uniram à prática da lógica modal o pensamento do monista alemão Gottfried Leibniz, segundo o qual, “em termos de mundos possíveis, o que é possível no mundo atual realiza-se em ao menos um dos mundos possíveis”. Dito de outro modo, o que é necessariamente verdadeiro na lógica modal pelos mundos possíveis, é aquilo que inculcar-se de tal forma não apenas em um mundo, mas em todos os mundos possíveis, pois “a necessidade aplica-se à inferência e não à própria conclusão”. As implicâncias de uma verdade necessária são essenciais para o princípio (N) da lógica modal, pois também são implicâncias necessárias da verdade do princípio.

Na lógica modal, quando as proposições se postulam de maneira necessária, nós dizemos que isto é de re e ao nos depararmos com os enunciados expressos nas premissas, entendemos que as sentenças são de dicto. O que dizemos só é algo necessário quando não é obrigado a decorrer de tais premissas. Assim não há imperativo que exista fatalmente, a não ser que seja ele necessário a todo instante. Quando modalmente nos envolvemos, acreditam os lógicos que, e mencionando ainda Quine, caracterizamos essencialmente os referentes com atributos necessários. As verdades modais são verdades em todos os âmbitos: da direita para a esquerda, de baixo para cima, de um lado para o outro, da circunferência para o centro, a bombordo ou a estibordo, de um ponto para a linha, do ovo até a galinha, das fontes até o miolo: “enquanto os modernos teóricos modais normalmente concentram-se na noção de necessidade lógica, os filósofos tradicionalmente tem se preocupado com a inevitabilidade e com o destino”.

Hipnotizados pelas idiosincrasias, deixados inertes pelos paradoxos, abstraídos pelos antagonismos, foram os pensadores de Megara, dentre os quais nós devemos destacar Diodorus Cronus, responsável pelo incentivo a reconstrução moderna do seu conhecido argumento dominador “em favor do fatalismo”, capaz de demonstrar que tanto a verdade tem o dever de ser verdadeira, quanto as possibilidades são momentos do presente e um espaço no futuro que aparece em descoberta, sendo inevitáveis como partes do destino. Diodorus sustentava a crença de que as verdades ocorreram e que por isso elas não podem fazer parte do impossível sendo fatos no passado, a final, se ocorreram é por que se permitiram, e se foram permitidas é por que eram possíveis. O livre-arbítrio implica em muitas possibilidades para o que for verdadeiro e Aristóteles procura através disso resolver um grande enigma: a abertura dos propósitos futuros pelo afastamento sistemático do princípio da bivalência, encarregado de entender que qualquer um enunciado é verdadeiro ou senão falso. A negação desse princípio é a liberdade de expressão sem preconceito desprovida de qualquer exatidão quanto à verdade e a falsidade. O argumento da batalha naval de Aristóteles diz que quando as proposições ou os enunciados são verdadeiros, acontecerá o que os mesmos declararam.

O passado vem a ser essencial só no momento em que não pode ser mudado, ou seja, sempre; as vivências que tivemos não mais podem repetir-se, pois já foram, quer dizer, não podem ser de novo sem mudarem: elas eram quando foram por que são o que serão. O passado é fixado na verdade pela curta durabilidade do momento que se passa e o que era ainda é só por que foi na teoria aristotélica. Os argumentos da batalha naval e do dominador determinam que devido à inalterabilidade do pretérito e do presente, o futuro seja indeterminado, e o que é tão moderno ao mesmo tempo é antiquado.

As verdades necessárias não dependem da experiência sensível, pois são a priori, detectadas sem a empiria, o que as tornaria se não fossem percebidas dessa forma, em vivências a posteriori, reconhecidas pelo seu estilo prático constituído pelo jugo dos sentidos. Os fatos necessários, eles são inevitáveis e ocorrem por si mesmos sem nenhuma previsão desnecessária e os fatos contingentes são aqueles que puderam nem sequer ter ocorrido, mas que por algum motivo aconteceram. As proposições de uma sentença podem ser analíticas ou sintéticas: no primeiro lugar, quando os termos escolhidos das premissas são verdade, e no segundo lugar, quando a verdade referida se liberta do seu significado.

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