Os paradoxos orbitam ao redor “dos conceitos de verdade e de falsidade”. Em princípios básicos restritos se apóia o raciocínio e sobre intuições plausíveis se estrutura o aceitável: “É por essa razão que paradoxos, longe de serem considerados meros passatempos, tem sido tratados com a maior seriedade por filósofos ao longo do tempo”. Um princípio lógico relevante é a instanciação universal, que postula a origem das conclusões como partes das premissas: nele, as particularidades serão representadas simbolicamente pelas letras minúsculas aos nomes equivalentes. Quando um paradoxo se mostra, o seu conteúdo, “não expressa nenhuma proposição”, a não ser que seja resolvido ou percebido, e mesmo assim não é da lógica os problemas que nós vemos ao estarmos contraditos: neles se pode encontrar mentiras verdadeiras e verdades mentirosas. Todas as verdades compartilham da exatidão e todas as falácias compartilham da imprecisão, não podendo uma destas ser a outra. Assim, a verdade está no que é coerente, pois mesmo a cima de qualquer suspeita, algumas sentenças não contém qualquer verdade e a ambigüidade não é nem verdadeira nem falsa.
Por inferência nós podemos entender a maior probabilidade de verdade nas sentenças universais formalizadas, do que nas particularidades sem ter justificativa. Charles Sanders Pierce definiu em sua terminologia as particularidades como sendo tokens e a universalidade como sendo types. As sentenças do tipo A substanciam as premissas B que concretizam a conclusão C. As crenças e os enunciados possuem um conteúdo composto pela verdade que sustentam. A validade das sentenças não implica na sua veracidade. Afirmações categoriais que não se sustentam pelo próprio conteúdo, são portadoras de verdade quando isso não ocorre: para sustentarem-se, as sentenças proferidas só precisam ter sentido experimental. Enunciados são propostas de verdade e sentenças são os fatos concluídos que se formam pela prática da realização. Nós podemos verbalmente enunciar sentenças esdrúxulas e também sentenciar enunciados esquisitos: pelo paradoxo, estamos livres dos conceitos imutáveis. Um aspecto importante a ser destacado, é o de que os verdadeiros portadores de verdade e de falsidade são as proposições, o conteúdo das sentenças, a constituição dos enunciados e a estrutura dos conceitos. Assim sendo, a proposição não é sólida: ela é “uma entidade abstraída” a qual não podemos atribuir alguma forma mais concreta, pois ela não é a conclusão e nem é as sentenças, ela é uma sugestão enquanto as proposições são comunicados.
As convenções são estabelecidas sobre aquilo que é real quando muitos concordam com isso. As verdades que a lógica estabelece solidificam-se e interagem pelas correspondências existentes entre os significados dos seus símbolos. A condição básica da verdade é a correspondência que esta possui, mantida com os fatos e o tato. Em seus significados, os enunciados serão verdadeiros quando comprovarem a sua utilidade para o mundo, quer dizer, quando esta expressão se relacionar de alguma forma, em alguma medida, com a totalidade. Quanto mais próximos da realidade do mundo estiverem os enunciados, tanto menos distantes da verdade eles se encontram. Quando as palavras criam eventos, são elas capazes de trazerem por si mesmas ao mundo da experiência uma verdade lógica. Aristóteles visa em sua lógica o alcance da essência das coisas, enquanto cautelosamente Austin observa os seus estados: estes se correspondem através da semelhança e não podem ser iguais.
O valor das palavras sobre o mundo em que vivemos, no qual nos movemos e aonde mantemos a nossa existência, é a sua coerência que nos traz o verdadeiro. Um estado de coisas é verdadeiro não só quando é percebido, mas também se faz verdade quando for vivenciado, pois “quando fazemos um enunciado verdadeiro ou temos um pensamento verdadeiro, o que dizemos ou pensamos é o que é o caso – é exatamente o que as coisas são – coincide com os fatos”. Quando os fatos se equalizam aos enunciados verdadeiros, as sentenças válidas postulam conclusões do mesmo nível. Semelhante a teoria da correspondência de Austin, é a teoria semântica da verdade de Tarski, que “não inclui estados de coisas ou fatos como parte do seu aparato teórico”, o que estimula a crença na sua proximidade com os princípios da lógica aristotélica, almejando a satisfação dos critérios estabelecidos para a obtenção das verdades dos lógicos. Em sua teoria, Tarski propõe a conclusão de que qualquer linguagem que tenha os recursos da lógica estrutural incita a proliferação dos paradoxos quando faz um sistema falar de si mesmo por si. Com isso, Tarski hierarquiza a linguagem, classificando cada estágio de maneira variada, tanto até que ela se transcende do que for convencional obliterando o que lhe foi atribuído: a exteriorização do que é possível pelos meios disponíveis.
Os idealistas acreditaram que o mundo dependeria somente dos seus processos mentais. Para estes filósofos, não pode haver relações “entre os conteúdos da mente e os conteúdos do mundo”. A teoria coerentista postula que o valor de verdade das proposições vão aumentando de acordo com o corpo que se forma do conjunto das premissas de maneira organizada pelo todo. Na perspectiva de que a realidade é uma porta para fora dos nossos pensamentos, sendo a busca pela “grande verdade” uma prática antiga e ainda hoje atual, como um dos focos permanentes e atrativos para a investigação humana, quando esta busca o estabelecer de uma realidade concreta e capaz de ser testada por aqueles que a mantém. O que modela a verdade é a consistência da matéria que reforça as estruturas desse nome. A teoria coerentista é uma metafísica desgastada nos dias de hoje, e outras visões já vislumbradas se mostraram depois disso.
O pragmatismo respeita aquilo que for efetivo, ou seja, tudo quanto funciona! Pierce, James e Dewey foram os ideólogos pioneiros dessa doutrina filosófica. Para eles, as conseqüências testáveis tinham muito mais valor do que aquilo que se pensa e abstrai. Pierce teoriza que a verdade é um estágio em que a dúvida sumiu, enquanto James se aprofundava cada vez mais na possibilidade de eliminação das dúvidas pela sua verificação, até o ponto em que a verdade para ele é o processo da sua própria validação. A utilidade das crenças para os pragmáticos estabelecem o verdadeiro, pois estes pensadores conceberam na verdade o que é útil, desde que do falso não sirvamo-nos: os benefícios que a verdade nos trouxer serão de fatos os mais plausíveis, pois o pragmatismo é uma das “teorias ‘substantivas’ ou ‘robustas’ da verdade”.
Quando as justificativas são concretas, uma proposição é verdadeira. Percebemos a veracidade na qualidade dos suportes teóricos que ofereceram às proposições. Uma teoria da verdade é deflacionária quando “esvazia nossa ambição de encontrar uma explicação substantiva para a verdade”. Os relativistas acreditam que as proposições são por demais subjetivas e coincidem com as experiências próprias de cada indivíduo por si, onde pessoas diferentes que formulam os seus enunciados podem discordar pelas vivências que tiveram dos demais. Assim, reafirmando Platão, Foucault reitera o verdadeiro como parte do poder e da justiça nas sentenças proferidas pelo caos instituído, e se tudo é relativo até isso é dessa forma: o relativismo não é muito objetivo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário