segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Razão, desrazão e lógica

A filosofia da lógica, para sustentar-se como sistema de pensamento, tem como um dos seus principais objetivos de responsabilidade – no ponto de vista dos autores discutidos, ou seja, na compreensão de Goldstein, Brennan, Deutsch e Lau – a organização e a coerência argumentativa, dispostas em uma seqüência correta, onde as possibilidades de verdade se interconectam e nos fazem concluir o que resulta do processo de pensar com mais razão, o que em alguns momentos específicos, sob circunstâncias observáveis, é-nos permitido compreender o desempenho das nossas faculdades dedutivas e das nossas capacidades cognitivas, e assim nós tomamos nota dos detalhes importantes que dão corpo aos pensamentos: temos argumentos racionais, quando tanto as nossas potencialidades são desveladas pelas expressões, quanto quando os respectivos e correspondentes defeitos a essas qualidades forem suprimidos; a lógica estrutura a razão, e é capaz de coibir as falhas que temos e os erros que vivemos no momento em que pensamos.

Na lógica, boa parte dos problemas que surgirem serão motivados, isso pela procura de resoluções para as diversas contradições que se apresentam, muito freqüentes tanto no sistema simbólico que traduz mais sutilmente os argumentos explicitados, quanto nas premissas que precedem elementos mais sofisticados para a veiculação de conteúdos racionais no pensamento organizado, coincidem como suportes para que sejam solucionados os paradoxos ocorrentes nas mensagens transmitidas pelo uso que fazemos dos conceitos e das formas conhecidas, de tal modo que não há mais dualismo nas sentenças convertidas na linguagem pictórica. Oxímoros sob diversas tentativas de contraposição para a formulação de sínteses dialéticas que não são solucionados e que aos tempos permanecem no seu ponto, com a organização do pensamento são capazes de mudar – é isso o que a lógica sugere quando algum sistema emerge: a experiência da lógica em prática é uma granada filosófica que explode o preconceito, pois aniquilam as aparências e equívocos correntes, indo ao fundo dos detalhes que mostrarem-se verdades através de experiências.

A validade e a legitimidade são tratadas primeiramente como a conclusão que se segue das premissas verdadeiras justapostas, sendo a validade de um silogismo a conseqüência das suas premissas, quer dizer, das bases interpostas concluídas em vivências. A formalização dos argumentos acontece não somente no discurso das palavras e dos nomes, mas também ocorre quando as escolhidas semelhanças existentes entre os termos prevalecem de maneira convergente, mediante o uso de um alfabeto repleto de caracteres e que codificam com eles o que nós dispusemos como os nossos argumentos: isso resulta numa bem formada fórmula. O modus ponendo ponens é a forma de argumento básica desenvolvida pelos lógicos, sendo estes capacitados para manipularem os símbolos referentes aos conceitos gerais das proposições na silogística formal. A linguagem pictórica tem a capacidade de fornecer mais elegância aos argumentos, ela estiliza a maior parte das sentenças discutíveis, sendo um refinamento das palavras articuladas: o sofisticado nos sistemas são os símbolos na lógica.

As falácias são detectadas sobre as entrelinhas dos silogismos, porém não entre as fórmulas bem formadas, nas quais tanto as premissas quanto as conclusões são verdadeiras. Será se concentrando nas estruturas dos argumentos que entenderemos a arquitetura dos grandes sistemas de pensamento, e com a lógica não é o contrário. O raciocínio implica numa série de processos, tais como a organização de esquemas, e o alfabeto representativo na lógica é uma ferramenta organizativa para todos os esquemas. A experiência e a reflexão, devem sempre fazer parte dos momentos importantes, de tal forma que por tudo o preconceito se dissipa e as intensidades da verdade se transformam no sustento do pensar experimentado. Nos sistemas tradicionais, a notação dos argumentos, é realizada pelas abreviações e estas justificam as sentenças deliberadas pela forma dela expressa. Sempre que se desejar trazer mais sutileza à linguagem de um argumento concreto, será utilizado para esta finalidade o modus ponens, seja para se verbalizar ou escrever uma sentença verdadeira, quer para também tomarmos nota do que temos percebido e não é falso. As falácias entre os argumentos são variadas, elas existem sob todos os aspectos, e podem se apresentarem de maneiras diferentes, seja por contradição ou pela organização, quer através da estrutura do argumento elaborado, mesmo também nos raciocínios quase certos. As falácias acontecem quer por meio de sofismas, seja por paralogismos. Os argumentos falaciosos são percebidos tanto pela insuficiência das premissas, quanto pelo uso equivocado da linguagem. O sofisma é uma falácia intencional e o paralogismo é uma falácia que não foi premeditada.

Muitos são os paradoxos. Dicionários já foram escritos sobre eles. O paradoxo de Sorites mostra como através de uma escala gradual de variações entre cores, as mudanças acontecem sobre estas lentamente, e um azul torna-se verde em pouco tempo. O paradoxo de Eubulides (ou o do mentiroso) nos mostra a verdade daquilo que é falso e a falsidade daquilo que é verdadeiro, ou seja, quando é algo verdadeiro ao mesmo tempo tudo é falso. O paradoxo do exame surpresa nos mostra que o fator das eventualidades que podem ser previstas, mas ao mesmo tempo, no inesperado, os imprevistos acontecem. A lógica nem sempre está em concordância com a experiência prática dos raciocínios, e estes são compreendidos quando mudam de lugar e se transformam no que temos demonstrado como símbolos. Os paradoxos se serão resolvidos quando as resoluções não existirem, encontrarão muito respeito para serem discutidos pelos lógicos de sempre: quanto mais sementes são plantadas no terreno, tanto mais respostas nós encontramos que resolvam de maneira convincente as nossas dúvidas, de modo que apazigúem nossas queixas sobre aqueles insolúveis e complexos problemas demonstrados.

Nos sistemas formais de lógica, existe para a sua consolidação e estabelecimento, um “conjunto que contém vocabulário, gramática e regras de inferência”. O raciocínio vem a ser compreendido pelos lógicos como uma atividade psicológica – o que não deixa de ter lógica envolvida – ao passo que nas lógicas existem raciocínios operados quando usamos os seus símbolos na prática, ou seja, mesmo como processo psicológico, o raciocínio não está diretamente vinculado ao que é lógico. Assim, a lógica não termina apenas por nos mostrar e denunciar aonde existirem as falácias, visto que ela também nos capacita de podermos enxergar aonde atuam os equívocos que temos o dever de corrigir, além do que através dela transformamos utilmente as aparências, pois “não pode haver lógica dedutiva sem razões práticas”.

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