Compreendendo a perspectiva dos autores, deferimos que a prática do estudo da lógica reduz o movimento para a criatividade se manter – o que não é necessário e frequente. Por limitar o pensamento às consequências dos fatos, concebem os críticos que a lógica restringe alguns impulsos criativos, como a imaginação. A criatividade se divide em duas partes: a artística e a cognitiva. Uma para a intuição. Outra para o raciocínio. A criatividade artística é a responsável pela consolidação das grandes obras. A criatividade cognitiva objetiva a conclusão das teorias que labora. Excelentes pintores foram grandes matemáticos. Artistas excepcionais foram grandes inventores: à prova disso temos Dürer e Da Vinci, respectivamente correspondentes ao exemplo mencionado. No primeiro momento, a imaginação é abstrata e se expressa nas feições das grandes obras. No segundo instante, compreendemos a criatividade de forma concreta, formadas por resoluções. Os procedimentos lógicos de raciocínio são bem aplicáveis sob a condição humana. Os animais raciocinam por instinto natural, ao passo que o homem é capaz de controlá-los. A cognição necessita de efetividade, e para isso, a criatividade é um meio essencial: as ideias emergentes são murmúrios criativos. A resolução dos problemas exige a criatividade e a lógica é um instrumento que permite validar o que nós temos cogitado.
A lógica não cede espaço para a criatividade quando o raciocínio que sustenta não se move pelas possibilidades pela sua rigidez. As observações criteriosas da lógica podem ser compreendidas, da mesma forma que podem ser suspendidas, para dar espaço à criatividade; também podemos recorrer ao raciocínio objetivo quando algo nós quisermos de verdade. A lógica possui quatro princípios conceituais e são eles: a verdade, a validade, a prova e a consistência. Com essa base, a imaginação não se comprova pelos fatos. Mesmo assim, a lógica não exige o seu uso constante e por isso nós não temos que pensar pelo padrão sempre que for; o que não quer dizer que faltem meios para bem raciocinar.
Não é em todos os momentos que o processo lógico é de grande relevância para a existência. Mesmo tendo muita relevância para todos os aspectos da vida, a lógica, nem sempre garante sucessos. O raciocínio e o pensamento são estados permanentes até a morte e a lógica não traz as garantias da infalibilidade. Os religiosos não excomungam o valor dos sistemas de pensamento organizado como a lógica, mas advertem que as suas qualidades não conduzem à verdade necessária na ausência da matéria, o que nem sempre funciona. A trindade cristã é considerada inconsistente quando três são um e morre um, ficando dois que foram um ao serem três e um morrer! Sob essas circunstâncias, os autores afirmam que a inconsistência deve ser desprezada, assim como as doutrinas que não tem sustentação, ou seja, nos argumentos em que haverem falácias, nós devemos extirpá-las, pois, das suas estruturas de maneira terminal. Não é o raciocínio lógico a única forma de expressão cognitiva dos entes humanos, sendo o conhecimento e a personalidade outras maneiras. Seguidores do budismo zen acreditam que a solução não está nas verdades da lógica, mas na paz de espírito, e ainda eles sustentam que viver é mais sensato para se compreender a existência. A meditação zen budista suspende os processos cognitivos e dá vazão ao imaginário.
Fatos imprevistos são insatisfatórios, pois não satisfazem as expectativas na lógica. As contradições que a metafísica levanta são abstratas. O discurso mítico-religioso é insustentável, sublimado, metafórico e inexato, assim e em muitas circunstâncias, não há espaço para a inconsistência na lógica, de modo que não há religião que se encaixe em tais princípios. O princípio da indiscernibilidade dos idênticos postula que se J e C são a mesma coisa, será verdadeiro para J o que em C for de verdade e não será falso em C o que em J não houver de falsidade. A inconsistência das religiões é um terreno fértil para as críticas da lógica. As doutrinas insustentáveis devem ser destruídas, e se possuírem alguma utilização, reformuladas. A lógica é capaz de organizar a existência ao orientar a vida. O verdadeiro, na lógica, não se segue do falso. Os princípios da lógica são aplicados ao raciocínio.
Uma importante influência sobre a lógica no pensamento moderno é a dialética modeladora das consciências, de Hegel e Marx. Os dialéticos sabem que por hipótese, as contradições são verdadeiras em algum momento, e alguns autores, como Hegel, utilizam ferramentas dialéticas de modo radical, para concluírem a sua abordagem atual de reinterpretação para os fatos, o que os afasta da lógica formal, mas não quer dizer que exista algum grau de desprezo entre eles por esse sistema por isso. Para estes pensadores, é possível que a contradição dê a luz à verdade, quer dizer, o paradoxo é capaz de produzir resoluções. Para os dialéticos, não são todas as contradições verdadeiras, mas algumas. Recusam-se eles a aceitarem a lógica clássica e formulam sistemas subterrâneos para se justificarem.As feministas acreditam que a predominância masculina entre os idealizadores da maior parte dos sistemas de lógica conhecidos é uma responsável pela opressão das minorias e dos miseráveis, bem como também delas. Elas são vigorosas ao defenderem que a hegemonia masculina sobre o pensamento lógico as rebaixa. Nas suas histórias de luta, o movimento feminista fez uma leitura escatológica das obras filosóficas, detectando uma ampla misoginia entre os clássicos, como em Platão e Aristóteles, que rebaixavam as mulheres na sociedade grega. Argumentam as militantes que o preconceito está na divisão dos atributos racionais e emocionais, atribuídos para um e para a outra, sendo estas as caraterísticas selecionadas para os gêneros pelo machismo. As consequências da misoginia são a incompreensão e a suma coerção do masculino sobre o feminino e muitas foram maltratadas pelo mundo ocidental por causa disso. O que se refere aos números, não diz respeito aos gêneros e as mulheres não se sentem contempladas pelo que lhes quantifica, tecendo a sua crítica. O machismo tem limites para impor, e as mulheres os motivos para a luta. Com tudo, na lógica, abundam os meios que freiam as distinções e dão respaldo à expressão das diferenças. Contudo, a lógica almeja estabelecer-se como uma forma de juízo neutralizante sobre as várias circunstâncias que envolvem sentimentos e ao tempo que produz conhecimento, ela acentua a nossa imparcialidade.
De acordo com os autores, Plumwood percebeu que as diferenças construíram as hierarquias, sustentando as desigualdades, e defendeu a negação como a causadora dessas injustiças. As negações não se exprimem de acordo com as regras da lógica clássica, pois ao tema no qual se aplica, ela não se define. A homogeneização unifica as dualidades e resolve o princípio que estabelece o paradoxo. Em linguagem clássica, a negação ocasiona a homogeneização, visto que “a negação clássica não envolve necessariamente juízos de inferioridade e tampouco negligencia a diversificação. A homogeneização não resulta do uso de uma negação clássica para marcar uma distinção”. Plumwood rejeita a negação clássica para advogar que a problemática em rejeitar as contradições acontece pelo que os autores chamam de “exclusão radical”. Quando a realidade não for distorcida, presenciaremos a falta de uma exclusão radical, onde a “dissimulação como falha moral é muito diferente da noção de supressão de premissas ou proposições”. As feministas procuram reabilitar velhos princípios da lógica ao que corresponde à realidade do momento para melhor incluírem-se no sistema racional do pensamento.
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