Todos nós temos o bom senso, e se dele partilhamos, tanto melhor para nós todos. Pelo bom senso nós discernimos o que é verdadeiro daquilo que é falso. Nós pensamos de maneiras variadas muitos temas semelhantes. A razão não precisa só ser boa, ela precisa ser também bem aplicada e conduzida. Seguindo em frente, nós podemos alcançar as nossas metas bem mais fácil do que percorrendo diversos caminhos. A razão, bem como o bom senso, diferencia o homem dos outros animais. O método elaborado por Descartes passa por todas as áreas do conhecimento, desde as mais elementares para estar nas mais complexas, das menos trabalhosas para as mais dificultosas, no intuito de cautelosamente todas analisar para com isso ter acesso a um saber indubitável, a um conhecimento seguro, sólido e confiável. Nenhum de nós está liberto dos equívocos. Cartesius não pretende conduzir a consciência de ninguém, mas apenas demonstrar de que maneira ele fez isso com a sua, pois mesmo tendo tido uma educação ampla e completa, ele não estava satisfeito com a validade dos conhecimentos obtidos ao longo da sua vida. Por ter muito viajado e conhecido vários povos, Descartes respeitou as diferenças entre eles, não afirmando ser superior aos mesmos, como fizeram os mais etnocêntricos e preconceituosos pensadores da modernidade. Desde muito cedo, pela exatidão das suas concepções, a matemática – que ocuparia um lugar destacado na filosofia cartesiana – fascinava Descartes. Como muitos doutos compartilhavam opiniões diferentes sobre uma mesma temática, Cartesius começou a duvidar de tais certezas e perspectivas.
René acreditava mais no potencial das criações individuais do que naquelas coletivas. Ao longo da vida, a razão se aperfeiçoa. As perspectivas do método cartesiano são adaptadas às necessidades do conhecimento e as opiniões que não forem razoáveis para os termos da verdade deverão ser descartadas se não substituídas. Para Descartes, não devemos viver embasados pelos saberes antigos para sempre, pois nós devemos inovar cada saber e todo o dia. Descartes quando discursa sobre o método, o faz de si, por si e para si, ou seja, é algo dele, por ele e para ele, apoderando-se quem quer e como queira assim fazer do seu conceito – desde que também não faça errado. Cartesius se desfez das antigas opiniões que partilhava com os doutos para em si mesmo buscar a verdade. Como todos nós possuímos a capacidade de formular opiniões próprias (e ser próprio não é ser proprietário), nenhuma concepção proveniente dessa capacidade pode ser considerada como melhor do que as outras. O que existe de melhor na lógica, na álgebra e na geometria, formam as bases do pensamento cartesiano. Os silogismos em nada acrescentam, e posto que eles só exprimam tudo àquilo de que já sabemos, nós não podemos obter nada que seja novo através deles. Para dar sustentação aos alicerces do seu edifício filosófico, formulou Descartes a existência dos quatro preceitos que se seguem: o primeiro, que consistia em considerar verdadeiro apenas aquilo que se mostrar claro e distinto na sua razão sem que disso alguém pudesse duvidar; o segundo, que consistia em fracionar as múltiplas dificuldades que surgissem em partes para melhor e mais eficazmente analisá-las; o terceiro, que consistia em partir das coisas mais simples e chegar nas mais complexas; e o quarto, que consistia em fazer uma análise tão completa dos objetos de estudo, que nos tornássemos incapazes de omitir qualquer detalhe acerca do conhecimento investigado, de modo que por constantes revisões nos deparássemos como isso. Das matemáticas, Cartesius parte para a compreensão da natureza.
Antes da completa construção do edifício cartesiano estar conclusa, René se empenhou na elaboração e no seguimento de quatro regras para a sua conduta: a primeira incentivara a moderação das atitudes e a existência de maneira harmoniosa no seu ambiente com todos, analisando se as opiniões dos homens eram coerentes com as suas condutas. Para ele, as perspectivas mais moderadas ofereciam menos riscos à obtenção do conhecimento seguro, pois como não estavam nos extremos, encontravam-se mais próximas de algo verdadeiro. Segundo Cartesius, se uma verdade se tornar insustentável com o tempo, esta deverá ser desconsiderada, ou substituída por alguma mais concreta; a segunda máxima estabelece o rompimento com as ambigüidades em prol da resolução, da definição e da coerência quanto aos posicionamentos assumidos, nesse contexto, a eliminação de um talvez a de ser necessária para haver ou sim ou não, pois aqui as verdades mais seguras são aquelas mais prováveis, de modo que o conhecimento verdadeiro é prático; a terceira máxima consiste na superação cotidiana de si mesmo e na afirmação de ser senhor dos pensamentos que se tem; a quarta e última máxima, consiste em não desviar ninguém do seu próprio caminho e, como conseqüência, permanecer sempre no seu, ou seja, no aprimoramento da razão e na procura da verdade no conhecimento, discernindo sempre o útil do inútil e o verdadeiro do falso, pois somente se julgarmos as coisas da melhor forma possível, é que somos incumbidos do melhor a se fazer. Para se desfazer das opiniões inúteis, é preciso antes que reconheçamos as diferenças existentes entre todos. Para Descartes, as dúvidas removem as incertezas.
Cartesius definiu o verdadeiro como aquilo que nos fosse indubitável. O método cartesiano não confia nos sentidos. O primeiro princípio da filosofia cartesiana é o pensamento, pois este, de acordo com ele, é a condição para a nossa existência: quando pensamos, para Descartes, nós existimos, ou seja, para ele, nós existimos enquanto pensamos. A alma existe independente do corpo e é bem mais fácil de podermos conhecê-la do que este. “Para pensar, é preciso existir”. Verdadeiro, para Descartes, é aquilo que for claro e distinto. De acordo com Cartesius, o conhecimento é mais perfeito do que as dúvidas. René escreve deus com d maiúsculo. O que houvesse de imperfeito para o homem, segundo Descartes, não correspondia à perfeição que houvesse em Deus. De acordo com os princípios da filosofia cartesiana, o que existe em nós de verdadeiro provém de Deus, para ela, a perfeição e a verdade são partes de Deus, ao passo que a obscuridade só provém da confusão. Os sonhos não são os pensamentos, que são mais verdadeiros do que eles. Até sonhando a matemática é exata. A nossa razão deve ser o nosso guia. Em tudo existe um pouco de verdade, porém nem tudo é realmente verdadeiro. De acordo com Descartes, a natureza da essência do humano é uma parte do que ele determina como Deus. O que existe em Deus é perfeito e nem tudo que existe no homem o é.
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