A
filosofia da ciência tem descrito as práticas efetivas dos
cientistas atualmente, sem interesse por conduzir os argumentos e as
investigações, contribuindo com a quantificação dos fundamentos e
práticas da boa ciência. A psicologia – não faz muito tempo –
se tornou de interesse para esses pensadores, visto que esta explica
os processos e os estados mentais.
Fodor divide as teorias da mente em duas categorias diferentes. São elas: as dualistas e as materialistas. Os dualistas postulam que a mente não é uma substância física. Os materialistas determinam que o mental não seja diferente do físico. Os behavioristas querem reduzir as causações do mental aos estímulos e respostas. Os teóricos da identidade associam a causação aos estados neurofisiológicos no cérebro. Os behavioristas e os teóricos da identidade são materialistas.
O funcionalismo surgiu como uma nova teoria que não é nem dualista e nem é materialista. Essa teoria aborda discussões em torno da cibernética, da lingüística, da psicologia, da inteligência artificial e da teoria computacional. O funcionalismo aceita, ou pelo menos reconhece, a possibilidade de máquinas terem estados mentais, assim como os espíritos desencarnados também, incluindo aqui os próprios homens. O funcionalismo pretende substituir as deficiências das duas teorias precedentes.
O dualismo não explica eficazmente a causação mental. O que é físico não pode ser não-físico. Até o momento não se conseguiu demonstrar como a causação mente-corpo não pode ser não-física. Aos estudos da mente, os psicólogos aplicam os processos das ciências físicas para entender os processos mentais. Se esses processos não fossem parecidos com os estados mentais, não se poderia entendê-los por esse sistema. O behaviorista radical dispensa referência às causas mentais.
O behaviorismo lógico considera a relação semântica do se então como a base justificativa da causação mental. Nessa perspectiva, se corresponderia ao estímulo e então corresponderia à resposta. O behaviorismo lógico é materialista. As disposições comportamentais elaboram as condições mentais. Para esses teóricos, os termos mentais são expressos sempre de acordo com os hipotéticos comportamentais, o que nos fornece uma explicação materialista da causação mental.
O behaviorismo lógico não consegue explicar psicologicamente como os estados mentais funcionam ao serem produtos um do outro. Os lógicos do behaviorismo reconhecem a existência de estados mentais, diferente dos behavioristas radicais. Nessa perspectiva, o behaviorismo lógico é uma versão semântica do behaviorismo radical. O behaviorista lógico e o radical não acreditam nas causas mentais.
A teoria da identidade postula que os estados mentais são equivalentes aos eventos neurofisiológicos no cérebro, sendo que se está em algum estado mental em questão, parte-se dele para outro que é neurofisiológico. Os teóricos da identidade aceitam que as causas mentais não ocasionam sempre eventos físicos e explicam o comportamento através dessas causas. A teoria da identidade não é uma teoria semântica. A teoria da identidade concentra as suas diretrizes investigativas nos particulares mentais.
Outra doutrina complementar existente que se divide em outras duas é a do fiscalismo, podendo este ser de eventos ou de tipos. O primeiro advoga que os particulares mentais que até agora existem são decorrentes dos estados neurofisiológicos no cérebro. O segundo defende que todos os particulares mentais, existentes ou ainda por vir, são neurofisiológicos. O fiscalismo de eventos compreende a possibilidade das máquinas e dos espíritos desencarnados possuírem propriedades mentais. O fiscalismo de tipos argumenta que pelo fato de as máquinas, bem como os espíritos, não possuírem neurônios, nenhum destes pode ter propriedades desse tipo. O fiscalismo de eventos, sobre os particulares mentais, está correto. O fiscalismo de tipos, sobre as propriedades mentais, está errado. Para o fiscalismo de tipos, a constituição psicológica depende de um programa, e não de um corpo.
Diferente do behaviorista lógico, o teórico da identidade estava certo no que diz respeito ao caráter relacional mente-corpo. Diferente do teórico da identidade, o behaviorista lógico estava certo quanto ao caráter relacional existente entre os estados mentais. O funcionalismo concilia esse paradoxo quando, com efeito, afirma a distinção feita pela ciência da computação entre o hardware e o software. Assim, o funcionalista compreende tanto o caráter causal quanto o caráter relacional do mental.
Para o funcionalista, os estados mentais possuem relações causais com outros estados mentais, o que não o torna uma tese reducionista e nem o aproxima do behaviorismo lógico. O funcionalismo é compatível com o fiscalismo de eventos, e nesse detalhe existe a grande diferença entre ele e o behaviorismo lógico. Para os funcionalistas, os particulares mentais podem ter causação física, o que significa que os estados mentais existem com base nessa causação. A solução materialista para o problema mente-corpo que a teoria da identidade nos fornece é aceita pelos funcionalistas. Assim sendo, o funcionalismo carrega as melhores alternativas de escolha entre o dualismo e o materialismo. Ainda para os funcionalistas, as máquinas representam muito bem as suas idéias principais: a interdefinição dos estados mentais e a sua execução por variados sistemas.
A
mente é um aparelho que interpreta símbolos. O funcionalismo não
se limita a estados e processos mentais. As máquinas e os ministros
são conceitos definidos, ambos possuem as suas funções, mas não
são estados. Para a filosofia da mente os estados mentais são
definidos pelo seu conteúdo qualitativo e intencional. Para que um
estado mental seja consciente, é necessário que possua o conteúdo
qualitativo. Ao afirmarmos que os estados mentais possuem um conteúdo
intencional nós estamos dizendo que eles possuem propriedades
semânticas, assim como as crenças. Além dos estados mentais
possuírem estados intencionais, os símbolos também possuem, pois
estes se referem às coisas. Os símbolos mentais possuem
propriedades semânticas. As crenças se relacionam com símbolos
mentais. Portanto as crenças possuem propriedades semânticas.
Sem a representação, a computação não existe. O computador é uma máquina que interpreta símbolos. Essa abordagem representacional da mente precede a invenção do computador, sendo discutida na epistemologia por filósofos como Hume, Descartes, Kant, Mill, James, Locke e Berkeley.
A teoria desenvolvida por Hume para representar os estados representacionais da mente dividia-se em cinco pontos. Primeiro que para ele as idéias eram símbolos mentais. Segundo que para Hume as crenças que temos envolvem idéias. Terceiro que na sua perspectiva os processos mentais são idéias se relacionando causalmente. Quarto que de acordo com ele essas idéias são imagens. E Quinto que para ele as idéias possuem propriedades semânticas relacionadas com aquilo que representam.
Para
as teorias da computação, os processos mentais não são apenas
associações de idéias. Como os pensamentos se relacionam com os
fatos? A teoria das propriedades semânticas deveria explicar isso.
Existe uma conexão entre o funcionalismo e a teoria representacional
da mente, mediada por uma condição suficiente entre os termos
causais e as propriedades semânticas. É uma aspiração da
psicologia moderna a sustentação recíproca dessas teorias.
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