terça-feira, 10 de abril de 2012

Apontamentos sobre o Novum Organum de Francis Bacon

A observação racional dos fatos constitui um dos possíveis saberes sobre a natureza. As invenções humanas auxiliam o conhecimento. Saber é poder. Bacon critica a filosofia escolástica, pois eles detinham o conhecimento e o saber como verdades. É preciso contemplar para depois experimentar. É preciso experimentar para podermos conhecer. A natureza é independente e a análise dos homens sobre os fenômenos que nela acontecem são realizadas sobre a sua autonomia. A especificidade não compreende a totalidade. O que faltava nas ciências era um método adequado, capaz de suprir as suas necessidades investigativas. Para Bacon, as teorias científicas deveriam acompanhar os experimentos e darem sustento às análises. Contra os fatos não existem argumentos. As descobertas atualizam os avanços da ciência. A especulação não oferece nenhum conhecimento seguro sobre a natureza. O velho não engendra o novo, porém é inovando que se atualiza o velho. Bacon critica a lógica dedutiva silogística aristotélica. Se o silogismo serve para assegurar o conhecimento, nenhum sofista elucida as condições da natureza. Nem sempre as palavras fomentam saberes. O conhecimento seguro sobre a natureza provém da observação criteriosa dos seus fenômenos. A lógica não forma axiomas. O método científico oblitera o senso comum. A experiência é feita para ser sentida, e também vivenciada. Nem as doutrinas nem as endorfinas devem obscurecer a racionalidade e a pureza do intelecto voltado para o progresso da ciência. Às vezes as aparências são tidas como verdades. Acontecimentos constituem postulados. O procedimento dogmático se pauta nas concepções que eles julgam verdadeiras, de maneira que os dogmáticos não atualizam o conhecimento. O controle e a previsão dos fatos são as capacidades úteis de uma ciência prática. As dúvidas não se seguem das certezas, porém as certezas se seguem das dúvidas. O que podemos antecipar é, às vezes, muito mais objetivo do que aquilo que podemos conceber. As falácias do raciocínio são tão relevantes quanto os erros da experiência. O progresso da ciência não deve vir só por acréscimos, mas também pelas inovações. Não se combate o dogmatismo no seu terreno, ou seja, não se combatem os dogmas com eles. As capacidades de alcance e abrangência de um método são o reflexo do tempo em ele foi elaborado. O saber não pode ser antecipado, pois só sabemos depois que conhecemos. Não se deve sempre compreender o novo com base no antigo, mas deve se respeitar o antigo e considerar o novo com bases no inesperado. Nenhuma verdade na ciência é irrefutável, mas não são todos que conseguem contestá-las. Só se combate o dogmatismo com a verdade e esta só é obtida através de constantes tentativas de prova-la. A experiência sobrepuja os preconceitos e nas particularidades o seu método se foca. Quanto mais novos instrumentos aparecem, tanto mais nós compreendemos o real. Nós só podemos conhecer parcialmente e na medida do possível. Os ídolos apagam os raciocínios verdadeiros e fomentam preconceitos: estes precisam sucumbir. A tribo na caverna cria o foro do teatro. Contra os ídolos na mente humana, apenas a ciência é eficaz. Os ídolos da tribo são as percepções sensoriais equivocadas. Os ídolos da caverna são as autoridades instituídas que precisam ser derrubadas. As contradições são os ídolos do foro. A ciência tem como objetivo metodológico a certeza e/ou a validade nos e dos seus pressupostos. O teatro é verdadeiro quando mostra as ilusões. Na natureza, as suas formas se concatenam. Existem superstições que pretendem serem verdades. Os ídolos do teatro são os mais profundos ídolos, pois são estabelecidos no espírito do homem. Verdades contrastam verdades. Pela verdade, o que parece verdadeiro é suprimido. Só a verdade elimina as aparências. A mente humana facilmente se engana, constantemente, a mente, mente. Nunca se poderá saber de tudo. O pensamento não conhece limites que o impeçam de continuar. O pensamento não para, pois sempre acontece: viver também é pensar, pensar também é viver. A ciência do querer não é a ciência verdadeira, posto que a ciência seja racional, sendo também experimental. A lei da ciência é incompatível com a lei do coração. O desejo do cientista é conhecer sem desejar como ele quer para si mesmo conhecer. Nem sempre as verdades são aquelas que queremos. Os sentidos muitas vezes ludibriam o intelecto. A ciência esclarece os acontecimentos e tritura as impressões falaciosas. Os sentidos podem julgar as experiências, mas não defini-las. Não se chega ao conhecimento seguro pelo uso dos sentidos. No mundo as experiências sensoriais as falácias predominam. O passado é uma lei inalterável e o futuro é um destino imprevisível. Os ídolos da tribo são as nossas ilusões. O pensamento é a permanência do movimento no intelecto. Nada na natureza é fixo, logo, as concepções do pensamento são inconstantes, pois ele tende a estabelecer as verdades no terrenos do mutável. A caverna está na nossa consciência e a saída para ela está na nossa sapiência. Os ídolos da caverna são as construções da sociedade que constrangem e que oprimem a razão. A ciência é o que é e não aquilo que se quer. Todos podem conhecer, pois o saber não tem senhores. As fantasias e as predileções devem ser afastadas do conhecimento científico, pois ambas tem os ídolos em si. O saber científico é abnegado e coerente. Obtemos o conhecimento pela observação das diferenças e pela aglutinação da semelhança. Respeitar o passado imutável, bem como o futuro recém-construído, é uma atitude científica. As verdades se alteram com o tempo. A experiência garante o acompanhamento das mudanças pela frequência dos acertos que engendra. Tanto a totalidade da estrutura do objeto investigado quanto os elementos problemáticos na mesma devem ser considerados pelos sábios: assim são combatidos os ídolos da caverna. Os ídolos da caverna são provenientes do excesso e do saudosismo. Nada em demasia na ciência tem futuro. Os ídolos do foro também são o que as palavras cristalizam como sentido. O poder dos significados linguísticos estimula a existência dos ídolos do foro. Cada conceito deve ser analisado. Cada palavra deve ser considerada. Os significados nem sempre significam. Na matemática se confia mais do que nos discursos. A exatidão do cálculo é inquestionável e não pode ser contradita. Existem mitos que se mesclam aos sentimentos. Os ídolos do foro ou são falsos ou insustentáveis. Os ídolos do teatro são os mais sutis de todos e se instauram na nossa realidade sem a nossa resistência, por isso eles são os mais árduos de se superar. Argumentamos quando concordamos com os princípios contidos nas demonstrações. A filosofia empírica é associada por Bacon à alquimia que estava em evidência na sua época. A falsidade deve ser denunciada pelo método científico. Todas as teorias insustentáveis devem, pela sua natureza, serem substituídas: assim nós eliminamos os ídolos do teatro. Bacon era um iconoclasta. As crenças não são critérios para a interpretação do que quer que seja.

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