O dadaísmo tem as suas origens históricas datadas de 1915, como sendo a difusão de uma vanguarda despretensiosa de caráter impactante contra o conformismo, oriunda das experiências artísticas dos boêmios modernistas, freqüentadores assíduos do Cabaret Voltaire, que se contrapunham à racionalidade estimulante da primeira guerra mundial e que também se revoltaram contra todos os padrões artísticos da época.
Defendera o movimento a sua própria significância, quando estavam expondo os seus pressupostos considerados contrários as propostas das artes instituídas. Os dadaístas almejavam compreender a ausência de compromissos artísticos com o estabelecido, no momento em que os moldes limitantes questionados pela sua proposição de liberdade estética, aos ditames autoritários do belo vigente revolucionassem os sempre dispostos.
Os dadaístas acreditavam que o choque estético era uma maneira efetiva de organizar-se para desorganizar, também para combater os ícones do poder e das autoridades instauradas, e não aceitavam desferir ataques que fossem incapazes de ocasionar mudanças.
Os incendiários mais piromaníacos do movimento foram André Breton (que mais tarde influenciaria os surrealistas como poeta e também sendo um teórico do próprio movimento) ao nos dizer que “o dadaísmo, não pode contentar-se apenas em criar, é necessário agir. Agir, em primeiro lugar, de uma maneira menos anárquica, mais eficaz; não mais se limitar a atacar a arte tradicional, que continuava a passar bem, mas atacar especialmente os seus líderes, e denunciá-los como traidores da causa do espírito e do homem”, acaba definindo a experiência de criação que procura através da vanguarda. Tristan Tzara, um representante em Zurique do movimento, que após Hugo Ball (um dos fundadores do Cabaret Voltaire) ter deixado a cidade, tomara como sua tal responsabilidade. Guillaume Apollinaire (um polêmico escritor e crítico de arte francês) com as suas extravagâncias dos amores loucos que mantinha. Que não nos esqueçamos de Hemmy Hennings (companheira de Ball e escritora), de Julius Évola pela sua Metafísica do sexo, e que Duchamp não se torne mais estampas de uma marca registrada pelo destaque concedido ao alcance da influência das suas exposições.
Marcel Duchamp (1887-1968), além de experimentar uma quebra com os padrões conceituais da arte, transformará o que no passado Descartes imputou como imperativo da imagem e que a arte histórica determinou sob a classificação dos olhos. Para isso, ao invés do agradável, a sua perspectiva tem como meta, uma experimentação de efeitos estéticos causados através dos elementos de procedência industrial, diversificados e produzidos. Chamava isso ele de a sua ready-made. Com isso foi capaz de abolir convincentemente os laboriosos esforços despendidos para a produção artística, utilizando os objetos que não tinham fins de arte como meios de mostrar que no seu tempo, não restava mais que um aspecto de opressão repetitiva para ser exterminado, e que o dadaísmo viera para inverter o sentido de todas as coisas das causas dos medos da coexistência do choque da arte.
Dadaísmo é a contradição que se concilia nos paradoxos. Dadaísmo é o oposto do que está exposto. Dadaísmo é a ambivalência da polivalência. Dadaísmo é a mortalidade da sobrevivência. Dadaísmo é o objeto partido antes da queda. Dadaísmo é tudo aquilo que se faz na paz em guerra. Dadaísmo é movimento do que está no contra-senso. Dadaísmo é toda a lógica do que não faz sentido. Dadaísmo é tudo na vivência que assedia. Dadaísmo é a viajem que se faz sem passaportes. Dadaísmo uma sinfonia que é tocada sem acordes. Dadaísmo uma resposta aquilo que é convencional. Dadaísmo uma brincadeira influencia o social. Dadaísmo é todo aquilo que não é e que não há. Dadaísmo é o motivo para as amplitudes simples. Dadaísmo é o que as palavras não dão conta de dar. Dadaísmo é o conciliábulo dos hereges nefelibatas. Dadaísmo sonhar é não viver realizar e ver. Dadaísmo é o passar do tempo que não passa. Dadaísmo é a excelência da antítese praticada. Dadaísmo é o silêncio explosivo das vozes caladas. Dadaísmo é a parte no todo que falta do nada.
O dadaísmo seria ainda o responsável pela consolidação da obra de arte conceptual (sendo esta uma alusão feita em consideração à importância que possui o conceito na compreensão dos seus termos expressos), pela disseminação virótica da Pop Art no organismo coletivo das massas nos finais dos anos de 1950, pela difusão do expressionismo-abstrato do pós-guerra americano para o mundo, e também pela profunda influência que sofreu o surrealismo das fortes inspirações dadaístas em seus diversos manifestos e escritos automáticos de artistas outrora presentes entre os integrantes principais da fundação dessa vanguarda de Zurique (o que a possibilitou de espalhar-se pelo mundo entre países como Espanha, Alemanha, e a França, bem como ter alcançado aos Estados unidos na cidade de Nova York), fazendo parte das estruturas oníricas do novo movimento que de si surgira. A influência do dadaísmo também representaria uma das formas de vivência estética do punk nos Estados Unidos de 1974, com a simplicidade musical de pouco mais que três acordes e a perda do emprego pelo zine Sniffin' Glue de Mark Perry, assim como seria importante no cenário musical do punk inglês nos meados finais da década de 1970, de onde nós podemos destacar as explosões estilísticas inusitadas de Vivienne Westwood, que vestiram de let it rock as periferias londrinas com o situacionismo.
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