A compreensão de Nietzsche em referência feita constantemente às metáforas por ele em seus escritos será realizada como ponto em que se reconhecem as qualidades filosóficas sucintas. Em poucas palavras, antes dos conceitos, sejam lá quais eles forem, existe o pensamento que por sua vez é artístico, estruturado por impulsos que antecedem a razão. Em O nascimento da tragédia no espírito da música, de 1872, quer o pensador discutido entender, o fenômeno existencial como uma obra de arte em um constante processo de atualização, propondo ao que se segue uma experiência de pensamento que se perpetua, e cujos seus fragmentos encontram consigo, rapidamente, todos já conectados, em interações pelas cadeias semióticas da língua: revoluções acontecendo na linguagem.
O artista, para o irmão de Elisabeth Förster Nietzsche – anti-semita declarada e partidária do nazismo, responsável pela má consciência interpretativa da obra e por ter feito modificações nos escritos do irmão para Hitler –, é o pensamento corporificado quando a intuição sobre a ciência faz filosofia, o que postula a intuição totalizante de uma realidade que parte de um ser para o mundo (a filosofia) como uma medicina do pensamento, onde as metáforas são remédios capazes de conterem o avanço da doença filosófica, do niilismo negativo que reduz a vida ao nada – pensamento recorrente ao longo do desenvolvimento da obra de Schopenhauer – e transforma as negações do organismo adoecido ao pensamento doentio, em uma progressiva afirmação constante do reencontro com a vitalidade e o retorno da saúde.
Em consideração das doutrinas filosóficas dos gregos pré-platônicos, especificamente aos apontamentos feitos sobre Heráclito de Éfeso, em A filosofia na época trágica dos gregos, – um escrito póstumo e de 1873 –, Nietzsche considera o orgulho do Obscuro e ranzinza eremita, como a maior expressão deste sentimento de brio na história da filosofia – o que, a partir de então, passou a constituir uma máscara pela qual o pensador se faz reconhecer quando quer representar desta forma, ou seja, embora orgulhoso, nem sempre a verdade é assim, não é permanente o orgulho, se desmancha nos teatros a tragédia, e no devir do eterno retorno que nos movimenta, seguimos em frente voltando à estrada, não permanecemos na festa a noite inteira, e, no entanto, só vamos embora ao raiar da aurora.
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