A arte, para a vontade de potência, em Nietzsche, é o canal por onde fluem os seus impulsos estéticos. Os impulsos estéticos da vontade de potência são o apolíneo e o dionisíaco. O impulso apolíneo é a expressão das formas mais concretas e objetivas da arte. O impulso dionisíaco possui mais aspectos sensoriais como as ondas sonoras da música. A música existe ao ter origem no espírito da tragédia, pois para Nietzsche, a origem da tragédia é o espírito da música, sendo esta, inclusive, tão disforme em amadurecimento, quanto lúcidas intuições que se concretizam posteriormente como pensamento.
O escritor de A verdade e a mentira no sentido extramoral, também de 1873 – uma obra póstuma como o próprio professor de filologia clássica foi na universidade de Basiléia acreditava que seria – encadeia como uma aranha outra série extensa de metáforas diversas, em uma teia. A filosofia, no seu pensamento, é “A força da imaginação” na canção Gita de Raul Seixas, é a forma da imagem primordial que antecede o progresso científico. Enquanto a ciência progride, as artes avançam. As grandes transformações da sociedade ocidental, nas grandes revoluções que aconteceram no velho mundo, são reflexos despercebidos de uma intensa politização da estética, onde o elemento das transformações políticas assumira velozmente um caráter de alastramento pela dimensão artística.
Nietzsche lança luzes na escuridão da caverna de Platão e, portanto, traz para a escuridão da caverna uma luz. E uma luz lançada na escuridão da caverna de Platão assim sendo, é para o erudito de pensamento intempestivo, uma visão do que seria a dimensão do ilimitado, ou a manifestação de um efeito inverso acontecendo na mimese, e ainda a contemplação dos aspectos da dimensão estética do pensamento artístico. Dito de outro modo, a arte é estabelecida como o gatilho cósmico que deflagra os projéteis apressados da razão conceitual cartesiana, sobre um corpo que está em movimentos metafóricos completos.
Na perspectiva do filósofo de Röcken, “quando aquela teia conceitual é rasgada pela arte”, a filosofia, acaba fornecendo para a ciência origens estético-artísticas. Em outras palavras mais amplas, a arte está para a ciência assim como a ciência está para a filosofia, ou seja, as sensações estão para a razão assim como a razão está para os pensamentos. Não buscando o status de superioridade para a arte sobre os demais saberes, Nietzsche não defende a importância da ciência, mas quando a encontra, no seu devido lugar logo a instala: entre as possibilidades do que pode ser tentando, sobre a multiplicidade do que deve ser vivido, aonde houver experiência do que está sendo proposto, quer dizer, os conceitos para ele, ao se solidificarem, adquirem formalmente o seu espaço, instaurados através de um consenso e muitos testes que não vai ser permanente.
A dança estratégica realizada pelas variações metafóricas vastas da extensa obra e de reflexões importantes para além do seu tempo, em Nietzsche, não só reitera a afirmação em Ecce Homo de que “existem homens que nascem póstumos”, mas também demonstra, na labuta das falsas aparências, a construção das metáforas pelo homem que expande os seus horizontes ao mais espaçoso do círculo, de tal forma que os conceitos se libertam da razão, e ao libertarem-se os conceitos da razão, não há razão, não há conceito, apenas há o momento perfeito em que a obra de arte da vida acontece.
Nietzsche quer mais significados, e indo longe em suas elucubrações, ele modela como faz o escultor a estrutura do que busca lapidar, não obstante, no final a sua obra vai ter sido completada, e concluída a sua obra nós teremos a imagem que se solidificou, ou veja, nós teremos em detalhes o processo pelo qual se transformaram nos conceitos as metáforas.
O processo de criação artística, nas reflexões do egrégio docente germânico, começa no momento em que, imediatamente, a imaginação sustenta a criatividade, o que faz do pensamento – incluindo aqui as suas acepções filosóficas – uma prática de muitas implicâncias, como ilustraria os muitos significados do que ainda não encontrou a sua significância, ou seja, dos elementos que estão próximos da forma, de tal maneira que ainda são preceitos, e sentidos para muitas diferenças, os conceitos elaborados que ganham formas no âmbito do pensamento, são entendidos pela compreensão da sua total amplitude de abrangentes significâncias, onde será considerada extensamente, a multiplicidade das possíveis interpretações que houverem sido feitas para os numerosos significados lingüísticos e semióticos do que é proposto nos textos ao longo do escopo das obras completas.
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