sábado, 3 de dezembro de 2011

Um samba do sobrinho

Pernambucano,
Me mudei para Natal,
Fui campeão de matemática,
Estudei na federal.
Meu pai dentista,
Professor e advogado,
Do trabalho veio a ser
O delegado regional.
Aos 17 fui brilhante
Em medicina,
Mas a perda do juízo
Construiu a minha sina.
Mamãe doutora,
Percebera que havia
Alguma coisa de errado
Acontecer a sua cria.
Foi num hospício,
Me trancou para sofrer
Ao definhar e esquecer,
De tudo o que me consagrou!

Por muitas noites
Os meus olhos não fechei,
Tomei remédio controlado,
Não sabia o que era lei.
Fui maltratado,
Levei choque na urétra,
Afogado várias vezes,
Amarrado e et cétera.
Pensei com muitos,
Pois vivi filosofia,
E o meu comportamento,
Inspirava até poesia.
Só entendia o mundo
Com a fantasia,
Soube do psiquiatra:
Era a esquizofrenia.
Não disse nada,
O meu saber era atual,
Só discordei silencioso
Da sentença capital!

De volta ao mundo,
Caminhando renovado,
Já não era mais o mesmo,
Tinha se modificado.
Jogava cartas,
A bebida não bebia,
Luas lhe influenciando,
O futuro até previa.
Fez caridades,
Me livrou do seu destino,
Pôs comida na favela,
Não deixou de ser menino.
Queria a paz que vem
Depois do sofrimento,
Encontrar consigo mesmo,
Escrever esse momento.
Assim montou o seu retiro
Nos espaços de uma serra,
E no convívio dos amigos
Esperou o fim da guerra!

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