quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Considerações sobre o surrealismo

Cinco anos depois das intensas manifestações dadaístas, em 1920 surge em Paris um novo movimento com fortes traços do anterior, influenciado por muitos dos seus artistas principais e pelas descobertas feitas por Sigmund Freud, chamado surrealismo. O surrealismo, assim como o dadaísmo, foram movimentos artísticos do período entre guerras, que influenciaram o desenvolvimento posterior do modernismo, sendo em diferença comparativa feita com o dadaísmo, divergente deste nas concepções marxistas voltadas para a prática política.

Os surrealistas, movendo-se juntos para transformar o inconsciente em uma fábrica a todo vapor, apostam no afastamento estratégico da racionalidade que de acordo com eles comprometeria a existência da arte. A palavra surrealismo é atribuída não isenta de questões a Guillaume Apollinaire, que depois do dadaísmo esteve próximo ao cubismo. Entre os surrealistas, as virtudes burguesas como os valores patrióticos, religiosos, familiares, e honoríficos, eram rejeitados como partes consideradas de uma opressiva ditadura da razão.

O movimento surrealista possui além do período de elaboração nos tempos de dadaísmo, mais três períodos de destaque para a sua compreensão: o heróico, o raciocinante e o autônomo. No primeiro momento, o surrealismo não tinha como objetivo estabelecer-se nos modelos de uma escola nova de arte, nem muito menos estava propondo uma nova expressão na estética: as suas metas principais de experiência eram os sonhos, as alucinações e os delírios, a loucura e o desconhecido, tudo aquilo que escapasse dos formalismos dominadores dos sistemas de pensamento lógico. No segundo momento, estão os surrealistas em busca de experimentarem os mecanismos da luta política, abolindo as atenções voltadas para grandes nomes ou personalidades destacadas, no intuito de que sobre os escombros da superioridade esteja ele em movimento de importância social. No terceiro momento, o surrealismo encontra-se dividido entre a revolução e o conhecimento das intensidades imanentes dos campos desconhecidos das zonas da psique acessíveis pelo seu contexto, encontrando a autonomia sobre todos os aspectos.

Entre as técnicas surrealistas prediletas, para a consolidação das suas obras, havia a escrita automática. André Breton, junto com Philippe Soupault (também um dadaísta que instigava o movimento), escreveriam, assim, o primeiro livro nesse estilo, para dar ao movimento o seu caráter natural de fundamento: Os campos magnéticos, do qual os pais poéticos foram William Blake, Lautréamont e Arthur Rimbaud. A escrita automática, nos anos de 1960, exerceria também uma forte influência sobre a Beat generation, em especial sobre Jack Kerouac, quando escreveu em apenas três dias sob efeito de estimulantes com café, Os subterrâneos. Antonin Artaud, trazendo consigo a peste do teatro oriental tornara-se o foco mais reconhecido do mal, propagando o seu alastramento como a fome da crueldade, com a essência de um teatro e seu duplo, realizada sob o signo da anarquia coroada de Heliógalabo, que com todas as obras primas acabaria. Salvador Dali entendeu que através dos seus artefatos traria a tona o seu inconsciente e exteriorizaria completamente o seu conteúdo para a frente de todas as possíveis contradições que isso poderia trazer sobre as produções artísticas que disso decorressem. Não existia no surrealismo uma forma de arte com traços semelhantes aos complexos sistemas lógicos, entretanto uma vivência cientificista era percebida pelos compartilhamentos que o movimento tinha com a psicanálise.

Em contextos semelhantes aos dadaístas, porém muito diferentes para os surrealistas, o movimento conseguiu uma aceitação reconhecida como o momento em que assumiu a arte um caráter revolucionário. As guerras que haviam ocorrido no abismo hiante de trinta e um anos, de 1914 a 1945, foram fatores determinantes para a construção e consolidação do caráter de contestação dos movimentos artísticos e sócio-políticos das décadas iniciais do século XX, isso quer dizer, no sentido estrito, do dadaísmo e do surrealismo.

René Magritte (1898-1967), poético por natureza o paradoxo seria uma constante na sua obra, se destacaria pelos seus processos artísticos de ilusionismo imaginativo utilizados pela sua maneira de compreender o mundo sob os aspectos da confluência do irreal com o real, transferindo para as suas pinturas os elementos concretos abstratos de uma magia verdadeira, distantes de serem encerrados em uma jaula dignificante de existência concreta no mundo real do sentir consciente, fazia do estranhamento das percepções os ares para a sua inspiração, e a Bruxelas que enterrara a sua história já não era mais a mesma de Rimbaud, tudo não nega.

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